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UE avalia construir centros de deportação fora do bloco para lidar com imigrantes

Comissão Europeia analisa custos de processar pedidos de asilo no exterior, em meio à pressão de países com políticas migratórias mais rígidas

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 dez 2024, 16h40
UE avalia construir centros de deportação fora do bloco para lidar com imigrantes Priorize VEJA no Google

A União Europeia está estudando os custos e a viabilidade de abrir centros de deportação para despachar imigrantes ilegais a outros países e processar solicitações de asilo fora do bloco. A proposta, que ganhou força em meio a pressões de Estados mais rígidos em suas políticas migratórias, é baseada no modelo italiano de transferência de imigrantes para a Albânia, promovido pela primeira-ministra de extrema direita Giorgia Meloni.

“Estamos analisando os aspectos jurídicos, operacionais e financeiros desses centros, respeitando os direitos fundamentais e o princípio da não devolução”, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nesta terça-feira, 17.

Von der Leyen apresentou a proposta em uma carta enviada aos líderes europeus, destacando que a medida busca “formas inovadoras de combater a imigração ilegal, conforme as prioridades dos Estados-membros”. A ideia da política de centro-direita, recém reeleita para mais cinco anos na chefia do órgão executivo da UE, é incluir os centros na nova diretiva de retorno de migrantes da Comissão, para acelerar os processos de deportação. Este seria o primeiro grande projeto regulatório de seu novo mandato.

Modelo italiano

O modelo italiano, pelo qual Roma fechou um acordo com a Albânia para enviar imigrantes resgatados no mar para centros de processamento fora do país, é considerado um exemplo pelos defensores da proposta. No entanto, sua aplicação já foi limitada devido a decisões judiciais que obrigaram o retorno dos migrantes ao território italiano.

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Além das questões legais, os custos envolvidos são expressivos: estima-se que cada deportação custe aproximadamente 85.600 euros (cerca de R$ 546 mil) por indivíduo, valor significativamente superior aos 35 euros diários necessários para sua manutenção em centros de acolhimento dentro da Itália.

Países como Dinamarca, Suécia, Grécia e Áustria demonstraram interesse em adotar versões do modelo italiano, especialmente para solicitantes de asilo vindos de países com baixas taxas de aprovação de pedidos. Já a Espanha rejeitou firmemente a proposta, citando questões éticas e preocupações com violações de direitos humanos. A Alemanha, embora aberta ao debate, considera a medida financeiramente inviável e difícil de implementar na prática.

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Este mês, o governo italiano recorreu ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) na tentativa de derrubar as objeções legais que barraram o envio de migrantes à Albânia. Meloni alertou que uma decisão contrária poderia “comprometer as políticas de repatriação de todos os Estados-membros”.

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