A preocupação da equipe de Flávio Bolsonaro com os amigos de Michelle
Consultores da campanha presidencial do filho do ex-presidente relativizam atritos com a ex-primeira-dama e criticam entorno dela por alimentar desavenças
Marqueteiros da pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República têm tentado relativizar os atritos entre o senador e Michelle Bolsonaro pelo fato dele ter sido escolhido pelo pai como candidato do PL ao Planalto nas eleições deste ano. A ex-primeira-dama não concordava com Jair Bolsonaro com a opção do ex-presidente.
Para consultores que já atuam na pré-campanha do senador, quem tem impulsionado as desavenças na família não é Michelle, mas, sim, pessoas próximas a ela. Um desses assessores, que pediu para ter o nome preservado, aponta Agustin Fernandez, maquiador de Michelle e amigo da ex-primeira-dama como origem de intrigas.
Em entrevista concedida a um canal no Youtube, Fernandez criticou Flávio, disse que não apoiará o senador e que aposta na derrota dele em outubro.
“O estereótipo do Flávio é o estereótipo que a direita já teve e, por conta disso, nunca chegou à Presidência. Esse perfil é polido, engessado, não tem um fio de cabelo fora do lugar. Ele não conecta com a empregada doméstica, com o vendedor ambulante”, afirmou. “Não vou perder meu tempo com isso sabendo que a gente vai sofrer uma derrota. O Lula tem o Judiciário, tem a mídia, tem bala na agulha, a máquina e ainda tem carisma”, disse o maquiador.
Ainda na entrevista, o amigo de Michelle defendeu que a ex-primeira-dama teria mais condições de ser a candidata à Presidência por ter mais capacidade de mobilização e por ser a única que conseguiria herdar o capital político de Bolsonaro, que está preso por tentativa de golpe de Estado e com os direitos políticos cassados.
Na visão dos estrategistas do senador, essa atitude de Fernandez ajuda a alimentar futricas que podem desgastar a imagem do candidato que, nas pesquisas, já aparece empatado com Lula em simulações de segundo turno. “Até o maquiador virou comentarista político. Esse entorno da Michelle é muito muito complicado”, ressaltou.
Os marqueteiros de Flávio ressaltam que a ex-primeira-dama, pré-candidata ao Senado pelo DF, daria um tiro no próprio pé se, por alguma razão, decidisse não apoiar o enteado na corrida presidencial, principalmente se ele vencer a eleição. Flávio teria argumentos mais do que suficientes para questionar a capacidade política da madrasta dentro do PL.







