‘Bolsonaro’s comeback’: após baque, clã ensaia volta ao poder no Brasil, diz ‘Financial Times’
Diário britânico, um dos mais influentes do mundo, aponta a força do nome de Flávio na corrida presidencial, mas diz que a sua candidatura ainda será testada
Um dos mais tradicionais veículos de mídia do mundo, fundado em 1880, o jornal britânico Financial Times, conhecido por defender o liberalismo clássico e o conservadorismo fiscal, publicou reportagem em sua edição digital nesta terça-feira, 7, na qual destaca a ressurreição político-eleitoral do clã Bolsonaro.
Sob o título “The Bolsonaro dynasty plots its comeback” (“A dinastia Bolsonaro planeja o seu retorno”, a reportagem diz que “no final do ano passado, a família Bolsonaro parecia estar politicamente acabada”, com o patriarca Jair “preso e condenado a 27 anos por planejar um golpe”, e o “seu combativo filho Eduardo, muitas vezes visto como o seu herdeiro mais provável, expulso do Congresso e num exílio autoimposto nos EUA”.
Mas, continua a publicação, “a família está orquestrando um retorno rápido”, já que a seis meses das eleições presidenciais, o senador Flávio Bolsonaro, “o filho mais velho e de maneiras mais brandas, emergiu como um candidato altamente competitivo”. “As pesquisas mostram que ele está empatado ou vencendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com eleitores insatisfeitos com a economia e preocupados com o crime”, diz o jornal.
De acordo com o veículo, Flávio procura traçar um forte contraste pessoal com Lula, que aos 80 anos concorre ao seu quarto mandato. “O Brasil precisa urgentemente de mudanças, de um governo mais jovem, moderno e com mais energia”, diz o senador ao Financial Times. “O problema não é a idade de Lula, é que as ideias dele estão desatualizadas”, complementa Flávio — leia a reportagem do diário britânico aqui.
O jornal diz, ainda, que a ascensão de Flávio aponta para um novo embate polarizado entre direita e esquerda no Brasil, o que provoca altos índices de rejeição aos dois principais contendores, mas diz que o herdeiro político do clã tenta “enfatizar a sua reputação como o membro mais moderado da família”. “Advogado que já foi dono de uma loja de chocolates, seu tom é menos abrasivo e conflituoso que o de seu pai”.
O veículo, no entanto, ressalta que a sua “plataforma é semelhante à de seu pai: uma mistura de posições de extrema direita em questões sociais e de combate ao crime com visões de centro-direita sobre a economia e uma crença fervorosa de que Bolsonaro pai foi condenado injustamente”.
O jornal cita ainda o discurso de Flávio na conferência de direita CPAC, ocorrida em Dallas, quando disse que Lula era muito hostil aos EUA e muito favorável à China. A reportagem lembra também que o senador foi a El Salvador para “observar a controversa política de encarceramento em massa do presidente Nayib Bukele”, que ele quer reproduzir no Brasil.
Plano econômico
Referência em economia no mundo, o Financial Times lembra também que “o plano econômico de Flávio Bolsonaro tem poucos detalhes, mas ele quer reduzir impostos e implementar algumas privatizações, inclusive dos Correios”. “Cortes de gastos reduziriam as taxas de juros, afirma ele, embora muitos no meio empresarial não estejam convencidos de sua disposição para tomar decisões orçamentárias difíceis”, diz o jornal.
Candidatura ainda será testada
Por fim, o veículo diz ainda que a candidatura de Flávio ainda será testada para valer quando “a equipe de Lula passar a atacar Bolsonaro por seu histórico”. “Isso inclui um escândalo envolvendo supostos pagamentos irregulares de seu gabinete quando ele era deputado estadual no Rio, em um caso que foi arquivado pela justiça. Bolsonaro também tem sido alvo de críticas por supostas ligações com indivíduos ligados a milícias, fundadas por ex-policiais, que praticam extorsão na cidade. Ele sempre negou as acusações”, escreve o Financial Times.
O jornal também lembra que, exposto à pressão, Flávio desmaiou durante um debate ao vivo na TV durante a eleição para prefeito do Rio de Janeiro em 2016. “Quando ele começar a levar esses golpes do Lula, aí sim vamos descobrir se ele é um candidato de verdade ou não”, afirma Thiago Vidal, consultor político da Prospectiva, em Brasília, ouvido pela reportagem.
Bolsonaro, segundo o jornal, “também terá que lidar com a sombra do pai”. “Embora queira manter a base eleitoral do ex-presidente, outros eleitores podem buscar evidências de que ele consegue ser independente.






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