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Carta ao Leitor: Uma longa caminhada

A disputa presidencial não é uma corrida de curta duração — e está sujeita a surpresas no meio do caminho

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 Maio 2026, 06h00 | Atualizado em 8 Maio 2026, 09h21

Um pensamento sempre repetido em ano eleitoral é o de que a única coisa certa em uma campanha é a incerteza. A atual corrida ao Palácio do Planalto parece contrariar essa ideia. Tomando-se como base a divulgação semanal de pesquisas, a disputa segue em ritmo quase monótono. Mantida essa toada, ela tende a repetir até o dia do pleito o enfrentamento direto entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. A cada rodada de sondagens, os resultados não trazem surpresas. Ambos aparecem sempre muito à frente dos outros postulantes nas simulações de primeiro turno, com o presidente e o senador separados entre si por uma margem mínima. Até agora, os ex-governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema, entre outros, ocupam o mero papel de figurantes.

Esse cenário atual está sujeito nos próximos meses à prova de fogo das nuvens da política, que podem mudar de formato rapidamente. Convém relembrar as campanhas nacionais desde a redemocratização, pródigas em mudanças bruscas de direção. Em boa parte da disputa de 1989, Fernando Collor de Mello voava abaixo do radar, a bordo de um partido nanico. Aos poucos, ganhou musculatura e se tornou um concorrente sério, na esteira de sua fama de “caçador de marajás”. Em 2002, um escândalo abateu de forma inapelável a pretensão de Roseana Sarney, que liderava ao lado de Lula as pesquisas presidenciais da época. No caso em questão, a Polícia Federal apreendeu mais de 1,3 milhão de reais em dinheiro vivo na empresa de Jorge Murad, marido de Roseana. A suspeita de uso de caixa dois na campanha foi suficiente para que ela desistisse de concorrer. Em 2014, o fato que gerou impacto e mudou os rumos da disputa foi uma catástrofe: a morte de Eduardo Campos em acidente aéreo.

Embora a atual eleição presidencial esteja polarizada entre Lula e Flávio Bolsonaro (ambos detêm a preferência de cerca de 70% do eleitorado no primeiro turno), o jogo pode mudar, pois há um contingente expressivo que admite repensar sua posição até outubro. Segundo a última pesquisa Genial/Quaest, 43% dos entrevistados disseram que podem votar em um candidato diferente do que apontam agora. O número é superior ao de abril de 2022, quando 35% admitiam a possibilidade. E isso de fato ocorreu. O placar, que apontava 44% a 29% para Lula sobre Jair Bolsonaro, terminou em 48,4% a 43,2% a favor do petista quando os votos foram apurados no primeiro turno. De acordo com a Genial/Quaest, eleitores que se dizem independentes e jovens estão entre os grupos mais propensos a rever suas convicções atuais. A disputa presidencial não é uma corrida de curta duração e a maratona está apenas começando — sujeita a surpresas no meio do caminho.

Publicado em VEJA de 8 de maio de 2026, edição nº 2994

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