Damares manobra para blindar governadora do DF da crise do BRB
Articulação na CAE ocorre em meio ao prejuízo de 8,8 bilhões de reais na instituição, classificado como “cruel” pela própria direção do banco
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) se movimenta nos bastidores para descolar a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), da crise financeira que o Banco de Brasília (BRB) enfrenta. Para isso, formalizou na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) um pedido de convocação do secretário de Economia do Distrito Federal, Valdivino José de Oliveira.
O documento sinaliza que as medidas para equilibrar as finanças do BRB não são suficientes e podem reduzir a capacidade de investimento da capital federal em um futuro próximo, o que afetaria a execução de políticas públicas e a realização de concursos.
Nesta terça-feira (9), em discurso na CAE, Damares Alves chegou a afirmar que o “BRB não é mais um problema só do DF, ele é um problema do Brasil”.
Apesar da premissa aparentemente técnica de investigar os impactos da crise nos cofres do Banco de Brasília e demonstrar como a má gestão do orçamento público pode comprometer os serviços essenciais à população brasiliense, o convite ao secretário é interpretado como um movimento estratégico da senadora para blindar a governadora Celina Leão, afastando-a do desgaste eleitoral gerado à imagem de Ibaneis Rocha após o escândalo do Master.
O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, que também compareceu à audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado nesta terça-feira, classificou a situação do Banco de Brasília como “cruel”. O executivo estima que as transações com o Master, de Daniel Vorcaro, criaram um rombo de 8,8 bilhões de reais para os cofres da instituição.
A estratégia para sanar esse prejuízo é tomar emprestados 6,6 bilhões de reais do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que ainda depende de acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal e de aprovação na Câmara Legislativa. Os 2,2 bilhões de reais restantes para equalizar as contas virão da securitização da dívida ativa do DF, que já soma 1,1 bilhão de reais arrecadados.







