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Novo embate com Trump anima PT, mas traz um risco para Lula e STF

Governo reage a episódio nos Estados Unidos, endurece discurso contra Donald Trump e transforma tensão externa em ativo de campanha

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 abr 2026, 15h12

O governo Luiz Inácio Lula da Silva voltou a mirar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio a um novo atrito diplomático que rapidamente contaminou o debate eleitoral brasileiro. O tema foi discutido no programa Os Três Poderes, apresentado por Ricardo Ferraz, com análises de Robson Bonin, Marcela Rahal e José Benedito da Silva (este texto é um resumo do vídeo acima).

Segundo os comentaristas, o Planalto enxerga no confronto com Trump uma oportunidade política semelhante à explorada durante o episódio do tarifaço americano, quando Lula registrou melhora nos índices de popularidade. Agora, a crise ganhou novos contornos após a atuação de autoridades dos dois países em torno do caso de Alexandre Ramagem, ex-deputado que buscou refúgio em território americano.

Por que Lula voltou a atacar Trump?

Na avaliação debatida no programa, o presidente tenta repetir uma estratégia que já trouxe dividendos políticos: nacionalizar o embate com Trump e mobilizar sua base nas redes sociais. Durante evento público, Lula ironizou o republicano ao afirmar que seria preciso dar a ele o Prêmio Nobel da Paz “para não ter mais guerra”. A fala foi interpretada como recado político ao eleitorado interno.

Para Bonin, o movimento tem forte viés eleitoral. “Bater no Trump ou chamar o Trump para uma discussão ajuda eleitoralmente do ponto de vista do que o petismo engaja nas redes sociais”, afirmou.

Como o caso Ramagem agravou a tensão?

A crise se intensificou após a prisão e posterior liberação de Ramagem nos EUA. A condução do episódio foi rapidamente politizada pelos dois lados. O governo brasileiro reagiu com base no princípio da reciprocidade após medidas adotadas por Washington contra um agente brasileiro. Lula apoiou publicamente a resposta diplomática.

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Bonin afirmou que o episódio “deveria ter sido tratado de forma técnica”, mas acabou servindo de “lenha para a fogueira da polarização”.

O discurso americano fortalece o bolsonarismo?

Para José Benedito, parte da narrativa adotada pelos Estados Unidos interessa diretamente ao campo bolsonarista. Segundo ele, ao mencionar perseguição política, autoridades americanas fornecem argumento para aliados de Jair Bolsonaro sustentarem que investigados e foragidos seriam vítimas de abuso institucional no Brasil.

“Esse discurso é tudo o que os bolsonaristas queriam ouvir”, afirmou.

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Asilo político seria derrota para Lula e STF?

O editor avaliou que um eventual reconhecimento formal de perseguição política por parte do governo americano criaria forte desgaste institucional no Brasil. Se houver extradição, disse ele, o Planalto poderá tratar o caso como vitória diplomática. Mas, se houver concessão de asilo, a repercussão tende a atingir tanto o governo Lula quanto o STF.

A crise ajuda Lula a conquistar indecisos?

Marcela ponderou que o embate com Trump conversa diretamente com a militância petista, mas pode não alcançar a parcela mais decisiva do eleitorado. Ela lembrou que pesquisas recentes mostram um contingente expressivo de brasileiros ainda sem voto definido. Nesse cenário, falar apenas à própria base pode ter efeito limitado. A incógnita para o Planalto é se a confrontação internacional amplia apoio ou apenas reforça convicções já consolidadas.

Nos bastidores do Itamaraty, segundo os debatedores, a expectativa é de contenção. Ainda assim, o fator Trump adiciona imprevisibilidade ao cenário. Com a eleição se aproximando, qualquer novo gesto de Washington ou resposta de Brasília tende a repercutir imediatamente na campanha presidencial.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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