O ‘aliado que não é aliado’: como Eduardo Paes pode ajudar Lula e flertar com eleitor de Flávio
Robson Bonin avalia que candidatura oferece palanque importante ao presidente no Rio, mas preserva autonomia para buscar votos em redutos bolsonaristas
O desempenho eleitoral de Eduardo Paes pode oferecer ao presidente Lula um palanque importante no Rio de Janeiro, mas isso não significa alinhamento irrestrito entre os dois. No Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, o colunista Robson Bonin, de Radar, definiu Paes como “aquele aliado que não é também aliado”: alguém capaz de pedir votos para Lula e, simultaneamente, preservar espaço para conquistar eleitores de Flávio Bolsonaro (este texto é um resumo do vídeo acima).
Ao introduzir o tema, Laísa destacou a importância do Rio para a disputa nacional e lembrou as dificuldades enfrentadas por Lula no estado na eleição de 2022. Diante do desempenho de Paes apontado pelas pesquisas, ela questionou Bonin sobre a possibilidade de a candidatura funcionar como um palanque favorável ao presidente.
Na avaliação do colunista, o cenário torna o Rio particularmente relevante diante das dificuldades de Lula em outros estados importantes. “O Rio passa a ser um lugar onde o presidente Lula tem, de fato, uma situação um pouco mais confortável”, afirmou Bonin.
Por que o palanque de Paes é importante para Lula?
Para Bonin, o desempenho de Paes abre uma possibilidade importante para Lula em um estado estratégico. Essa vantagem, contudo, tem limites. O colunista ressaltou que a situação está longe de permitir ao presidente considerar que possui uma posição eleitoral confortável no Rio.
A razão está justamente no perfil político de Paes. “Ele é aquele aliado que não é também aliado”, definiu Bonin.
Na prática, segundo o colunista, Paes pode fazer campanha e pedir votos para Lula sem transformar sua própria candidatura em uma extensão da campanha presidencial. Essa autonomia permitiria que ele buscasse apoio entre diferentes segmentos do eleitorado fluminense.
Como Paes pode buscar também o eleitor de Flávio?
Bonin avalia que Paes terá liberdade para entrar em áreas de predominância bolsonarista sem exigir que o eleitor acompanhe seu posicionamento na disputa presidencial. A estratégia seria priorizar sua própria candidatura mesmo entre aqueles que pretendem votar em Flávio Bolsonaro.
“Ele pode fazer campanha pedindo votos para o presidente Lula e, naturalmente, fazer campanha pedindo voto nos redutos bolsonaristas”, disse o colunista.
Essa dinâmica, segundo Bonin, abre espaço para combinações eleitorais distintas. Haverá, em sua análise, tanto o eleitor de Lula que votará em Paes quanto aquele que escolherá Flávio para presidente e Paes na disputa estadual.
Por que o PT olha Paes com desconfiança?
A autonomia de Paes também produz ressalvas dentro do próprio campo petista. Segundo Bonin, caciques do partido acompanham essa movimentação e enxergam com desconfiança a possibilidade de o candidato buscar votos fora do eleitorado de Lula.
Essa flexibilidade, porém, é aceita diante dos ganhos que o palanque pode oferecer. Na leitura apresentada pelo colunista, prevalece uma espécie de acomodação pragmática: Paes leva o nome de Lula onde for possível, mas mantém liberdade para construir sua própria base eleitoral.
O arranjo descrito por Bonin ajuda a explicar a peculiaridade do palanque fluminense. Para Lula, Paes representa uma oportunidade de ganhar presença em um estado no qual enfrentou dificuldades. Para Paes, a aproximação não significa abrir mão de conversar com o eleitorado adversário. É justamente daí que surge a definição do colunista: um aliado suficientemente próximo para ajudar Lula, mas independente o bastante para pedir o voto de quem escolher Flávio Bolsonaro.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.







