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O dia em que o Senado derrubou Alexandre de Moraes

Atual ministro do STF foi indicado para o CNJ, mas escândalo do mensalão e manobra do PT vetaram nome do hoje mais poderoso integrante do Judiciário

Por Laryssa Borges Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 abr 2026, 11h06 | Atualizado em 12 abr 2026, 12h47
  • Não foram poucos os governistas que detectaram na declaração do presidente Lula de que Alexandre de Moraes deveria “salvar” a biografia as digitais de que o governo lavava as mãos diante do mais poderoso ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

    Na sequência, tampouco passaram despercebidas as declarações do petista ao ICL Notícias de que o desgaste sem precedentes da Corte “vai ser utilizado na campanha” e que “todo mundo tem que ter clareza que a extrema direita vai usar o caso do Banco Master e o envolvimento da Suprema Corte na campanha”.

    Com o país polarizado e o avanço do escândalo do Master sobre juízes do tribunal, pelo menos 50 pré-candidatos a senador pretendem adotar a degola de um ministro do Supremo, e de Alexandre de Moraes em especial, como plataforma para a campanha de outubro   uma pauta no mínimo polêmica. No primeiro mandato de Lula, porém, o próprio Moraes já havia se visto encurralado por um Senado que tocava de ouvido com o governo do momento.

    Nem todos os senadores que hoje querem a cabeça do juiz do STF se lembram, mas em 18 de maio de 2005 o Plenário do Senado rejeitou, por 39 votos a 16, o nome de Alexandre de Moraes para a primeira composição do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que inspeciona e controla todos os tribunais do país, à exceção do Supremo do qual o ministro hoje faz parte. Naquela ocasião, o nome do então ex-secretário de Justiça do governo de Geraldo Alckmin e ex-presidente da Febem foi derrubado depois de o líder do PT Aloizio Mercadante ter detectado que, por um deslize dos oposicionistas, não havia quórum suficiente para aprovar o indicado.

    Mais do que ojeriza à escolha de Moraes em si, a manobra tinha como pano de fundo uma resposta à oposição, que acabara de protocolar o pedido de criação da CPI dos Correios, que escarafunchou e deu dimensão ao escândalo do mensalão. Os oposicionistas também haviam preterido o nome de Sérgio Renault, então secretário de Reforma do Judiciário e mentor da criação do CNJ, para a vaga.

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    Até poucos dias antes de ter sido recusado, Alexandre de Moraes era filiado ao PFL, partido que depois virou o Democratas e na sequência se fundiu ao que hoje é conhecido como União Brasil. Com o desgaste sobre a mesa, o Senado topou votar novamente a indicação de Moraes para o cargo, que acabou aprovado por 48 votos a sete.

    Mais de 20 anos depois e com juiz do Supremo como um dos grandes ativos eleitorais da oposição em outubro, em troca de concorrer pelo PL, dono da maior bancada na Câmara dos Deputados e detentor de cerca de 900 milhões de reais para financiar as disputas deste ano, os candidatos às 54 vagas em disputa no Senado foram escolhidos a dedo pelo ex-presidente Bolsonaro com o compromisso de, se vitoriosos, votar logo nos primeiros meses de 2027 um processo de impeachment contra o ministro.

    A nova cruzada tem um evidente viés de vingança, já que Moraes foi relator das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado e chefe da Justiça Eleitoral quando o ex-mandatário foi banido das urnas, mas também é um senhor apelo eleitoral. “Aprovaremos dois, três, quantos impeachments precisarem, até eles entenderem que são ministros do Supremo, não donos do Brasil”, disse a VEJA a deputada e pré-candidata ao Senado Bia Kicis (PL-DF), que deve fazer campanha conjunta com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, líder nas pesquisas de intenção de votos para o Senado por Brasília.

    No espectro da direita, candidatos como Marcel van Hatten (Novo-RS), Guilherme Derrite (PP-SP), Caroline de Toni (PL-SC), Eduardo Gayer (PL-GO), Delegado Éder Mauro (PL-PA) e o segundo filho de Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, pré-candidato do PL ao Senado por Santa Catarina, também têm planos de surfar no desgaste do Supremo como plataforma de campanha.

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