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Por que o Exército não quer Bolsonaro preso no quartel

Seria 'simbolicamente desastroso', analisou o colunista Robson Bonin no programa Ponto de Vista

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Marcela Rahal Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 nov 2025, 14h22
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Um encontro improvável no Quartel-General do Exército, em Brasília, revelou a preocupação da cúpula militar com os desdobramentos da condenação de generais envolvidos na trama golpista articulada junto a Jair Bolsonaro, preso preventivamente no sábado, 22. Como mostrou o colunista Robson Bonin no programa Ponto de Vista, o ministro Alexandre de Moraes esteve na residência oficial do comandante do Exército, general Tomás Paiva, na última semana, para debater justamente como ocorreria a operação que levaria à prisão figuras centrais do 8 de janeiro — entre elas Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira.

A reunião foi resultado de uma coincidência rara. Tomás Paiva recebia o ministro da Defesa, José Múcio, quando Moraes telefonou. Convidado a ir pessoalmente ao QG, o ministro do STF se juntou aos dois e ouviu do comandante uma lista de preocupações da caserna.

Temor na tropa: “Ainda são figuras respeitadas”

Segundo Bonin, o general Tomás Paiva expôs com clareza a sensibilidade interna: mesmo condenados, os generais da antiga cúpula das Forças Armadas ainda têm prestígio entre militares da ativa. Muitos serviram diretamente sob o comando deles. A imagem desses oficiais sendo presos de forma humilhante — algemados, filmados, conduzidos por carros da PF — poderia gerar “contaminação do ambiente” dentro dos quartéis.

“A preocupação era evitar que a prisão simbolizasse humilhação e criasse um clima de desgaste dentro do Exército”, relatou Bonin.

O pedido: máximo de discrição, nada de espetáculo, e que os próprios militares acompanhem a operação, sem participação ostensiva da Polícia Federal.

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Moraes, segundo os relatos, concordou.

Como deve ser a prisão dos generais

Foi combinado que as prisões ocorreriam sem algemas, sem viaturas caracterizadas da PF, com acompanhamento por oficiais do Exército, transferência para instalações previamente definidas — quase certamente militares e execução rápida e discreta.

A opção por quartéis não representa gesto político: apenas resposta técnica ao pedido militar. E, sobretudo, tentativa de evitar ruído num setor que ainda se recupera do abalo institucional provocado pelo bolsonarismo.

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E Bolsonaro? Outro tratamento

De acordo com Bonin, o Exército não fez qualquer pleito por tratamento especial ao ex-presidente. Tomás Paiva apenas informou a Moraes que, se o STF decidisse por recolhê-lo numa instalação militar, tudo já estava preparado — mas deixou claro que essa não era a preferência da Força.

“O Exército não deseja Bolsonaro em um quartel. Ele corrompeu militares no intento golpista, e mantê-lo preso ali seria simbolicamente desastroso.”

O destino do ex-presidente, portanto, seguiria outro curso — a superintendência da Polícia Federal.

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