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Problema de foco afasta Lula do eleitorado feminino

Mulheres querem menos gestos simbólicos para progressistas e mais ações que promovam bem-estar social e proteção à família

Por Daniel Pereira 25 abr 2026, 18h11
Problema de foco afasta Lula do eleitorado feminino Priorizar nos meus resultados Google

Estimulado pela alta rejeição a Jair Bolsonaro, o eleitorado feminino foi determinante para a vitória de Lula na eleição presidencial de 2022. Quatro anos depois, esse segmento continua sendo uma das principais bases de apoio ao presidente, mas tem se afastado dele de forma gradativa.

A última pesquisa Genial/Quaest mostrou que a aprovação das mulheres ao governo caiu de 48% em janeiro para 45% em abril, nível que ainda supera a média nacional, de 43%, puxada para baixo pelos homens. Já um levantamento do Datafolha revelou que, na simulação de segundo turno, a vantagem de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro na população feminina caiu de treze pontos, em março, para quatro pontos, em abril.

Para tentar recuperar o terreno perdido, o presidente anunciou em fevereiro um pacto nacional contra o feminicídio, que promete envolver representantes dos Três Poderes na luta contra esse tipo de crime, que bateu recorde em 2025. Em abril, ele também sancionou leis destinadas à proteção das mulheres que preveem o uso imediato de tornozeleira eletrônica por agressores e a tipificação do crime de vicaricídio, que é o assassinato de filhos ou parentes num contexto de violência doméstica. 

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Nicho estratégico

No início de seu terceiro mandato, numa tentativa de demonstrar compromisso com a pauta feminina, Lula recriou o Ministério das Mulheres, atualmente comandado por Márcia Lopes. O problema é que a pasta, o conjunto da Esplanada e a Presidência padecem de uma falha de foco.

A conquista do voto feminino depende cada vez menos de gestos simbólicos, feitos sob medida para agradar a setores progressistas, e cada vez mais de ações capazes de melhorar a qualidade de vida das mulheres e de seus familiares.

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Nesse segmento, a demanda prioritária é por mais segurança, saúde e educação. “O voto feminino tem uma relação muito direta com a realidade prática das pessoas. A violência que atinge as mulheres e seus filhos é um elemento”, resume Flávia Biroli, professora de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB).

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Os números deixam claro o que está em jogo. Até o início de abril, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrava 156,2 milhões de cidadãos habilitados a votar, dos quais 82,6 milhões de eleitoras e 73,6 milhões de eleitores, uma diferença de nove milhões de votos, ou mais de quatro vezes a vantagem registrada por Lula ao bater Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022 (2,1 milhões de votos). A caminho de sua sétima candidatura, o petista sabe que a reeleição depende da reconquista do eleitorado feminino.

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