PT respira aliviado com Janja fora do desfile de Carnaval no Rio
Caciques do partido acreditam que desistência da primeira-dama ajudou a minimizar repercussão negativa à imagem de Lula, preocupado com a reeleição
Integrantes do alto escalão do PT ficaram aliviados com a desistência da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, de participar do desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro. Janja, que entraria no último carro alegórico da escola de samba que homenageou o presidente Lula, foi orientada a não ir para a avenida por assessores e pela equipe jurídica do Planalto, que temiam, entre outras coisas, que ela causasse desgastes à imagem do marido em pleno ano eleitoral.
Desde o início do terceiro mandato de Lula, a oposição explora as viagens e participações de Janja em eventos oficiais para desgastar a imagem dela, do marido dela e do governo. No Rio, a primeira-dama acabou acompanhando o desfile ao lado de Lula em um camarote na Marquês de Sapucaí. A postura mais reservada, segundo petistas, diminuiu a brecha para que os oposicionistas atacassem o presidente nas redes sociais.
Em nota, a equipe de Janja afirmou que optou por não desfilar para ficar ao lado da pessoa que mais ama na vida. “Mesmo com toda segurança jurídica de que a primeira-dama poderia desfilar, diante da possibilidade de perseguição à escola e ao presidente Lula por receber uma das maiores honrarias que um brasileiro pode ter, que é ser homenageado por uma escola de samba, Janja optou por não desfilar para estar ao lado da pessoa que ela mais ama na vida”, diz o texto.
Ação na Justiça e orientações internas
O partido de Lula ficou de olho na repercussão da participação do presidente no Carnaval, em especial nas publicações feitas com uso de inteligência artificial voltadas a atacar o petista.
O PT concentrou as atenções principalmente nos posts feitos pelo senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência e principal adversário de Lula na disputa pela reeleição. Flávio publicou um vídeo produzido por IA que simulava um samba-enredo chamando o presidente de ladrão. Algo parecido foi feito pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), outro possível adversário de Lula em 2026.
O departamento jurídico do PT já está preparando uma ação que será ajuizada contra quem divulgar conteúdos como esses compartilhados por Flávio e Romeu Zema. Outra medida tomada pela legenda foi orientar a presidência de todos os diretórios estaduais, em especial a do Rio de Janeiro, a pedir que a militância evitasse fazer propaganda antecipada durante o feriado. Recomendou, por exemplo, que ninguém levasse material do partido nos blocos, nem distribuísse santinhos ou qualquer tipo de brinde.






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