TRE determina que deputado do PL do Rio entregue armas à PF após ameaça a militantes do PSOL
Alexandre Knoploch será alvo de inquérito pela Polícia Federal; ele usou spray de pimenta e ameaçou puxar arma da cintura durante briga com militantes do PSOL
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) autorizou, na quarta-feira, 30, a instauração de inquérito policial para investigar o deputado estadual e candidato à reeleição Alexandre Knoploch (PL). Após ele se envolver em uma briga com militantes do PSOL, a Corte também determinou uma série de medidas cautelares, entre elas a suspensão temporária do porte de armas pelo parlamentar. Ele, agora, tem que entregar à Polícia Federal todas as armas de fogo registradas em seu nome.
O deputado estadual Flávio Serafini (PSOL) entrou com ação contra Knoploch após ele usar spray de pimenta contra pessoas de sua equipe. Na confusão, o deputado bolsonarista ainda ameaçou puxar uma arma da cintura, cena gravada em vídeo. O caso ocorreu em frente ao comitê de campanha de Serafini na Tijuca, na última segunda-feira.
Uma notícia-crime apresentada por Serafini deu origem a procedimento da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), que requereu ao TRE autorização para abertura do inquérito e adoção de medidas cautelares.
Usando camisa com “Fora Lula”, Knoploch se dirigiu ao comitê de Serafini reclamando de uma música que citava Flávio Bolsonaro (PL). Em vídeo no Instagram, ele disse ter sido intimidado por um grupo no local e admitiu o uso do gás de pimenta. A decisão do tribunal ressalta que parte dos fatos, incluindo a exibição da arma, possui registro audiovisual e que ele próprio afirmou publicamente a utilização do spray. O TRE, no entanto, ressalta que se trata de análise cautelar, sem julgamento de culpa, permanecendo assegurada a presunção de inocência.
Sem armas até o dia 5
A PRE apontou, em tese, possíveis crimes de impedimento do exercício da propaganda eleitoral, violência política de gênero, injúria na propaganda eleitoral, lesão corporal, ameaça e desobediência, além da necessidade de apurar eventual porte ilegal de arma de fogo. A relatora no TRE afirmou que “a violência armada é o exato oposto da democracia” e destacou que a proximidade das eleições aumenta a necessidade de prevenir novos confrontos entre grupos políticos.
Com a decisão, Knoploch fica com o porte de armas suspenso até o fim do dia 5 de outubro. Ele deverá comparecer à Polícia Federal no Rio no prazo de 24 horas após a intimação para entregar temporariamente todas as armas em seu nome. A medida não implica perda ou confisco do armamento. Caberá à PF conduzir o inquérito, sob supervisão do TRE, com prazo inicial de 30 dias para conclusão.
Até segunda-feira, após o pleito, o parlamentar fica ainda proibido de acessar o comitê de Serafini e de se dirigir a atos de campanha do deputado. Ele também não pode ter qualquer contato, inclusive pelas redes sociais ou por intermédio de terceiros, com Maria de Lourdes do Carmo, Cintia Teixeira de Souza Silva, Anna Cecília Faro Bonan e Sérgio Augusto Rodrigues Belerique, integrantes das equipes de campanha de Serafini e Maria de Lourdes (suplente ao Senado pelo PSOL). A atuação parlamentar de Knoploch na Alerj foi preservada.






