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Vice de Paes apoia Flávio e não quer dividir palanque com Lula

Advogada Jane Reis afirma a VEJA que, apesar do apoio do presidente à sua chapa, ela e o partido, o MDB do Rio, estarão ao lado de Flávio Bolsonaro na campanha

Por Rayssa Motta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 mar 2026, 06h00 | Atualizado em 7 mar 2026, 09h41
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A advogada Jane Reis aprendeu a fazer política em casa. A força eleitoral da família em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o segundo maior colégio eleitoral do Rio de Janeiro, remonta à redemocratização. Desde 1992, a primeira eleição municipal direta depois da ditadura militar, o clã está nas urnas. O irmão mais velho, Washington Reis, cacique do MDB fluminense, deu os primeiros passos na política ao ser eleito vereador e influenciou os outros irmãos, Gutemberg (deputado federal), Rosenverg (deputado estadual) e Júnior (vereador), e o sobrinho, Netinho, atual prefeito da cidade, a trilharem o mesmo caminho. Jane nunca exerceu cargo eletivo. A advogada está habituada a operar por trás dos holofotes nas campanhas da família. Agora, terá que fazer campanha em causa própria: foi escolhida para ser vice de Eduardo Paes na disputa ao governo do Rio.

Quando o sobrenome Reis ainda não era tão conhecido e as campanhas analógicas, Jane transportavas placas com o número dos candidatos da família para as ruas. Com o tempo, especializou-se em Direito Eleitoral para representar os irmãos. Também assumiu a contabilidade de suas candidaturas. A única tentativa de disputar, ela mesma, votos nas urnas foi em 2020, quando se candidatou à prefeitura de Magé, vizinha de Duque de Caxias, em uma tentativa de expandir o domínio político da família. Terminou em terceiro lugar. O mau desempenho é atribuído pelos Reis às restrições da pandemia, que o clã garante ter respeitado, tornando a campanha restrita. Desta vez, as perspectivas são mais promissoras. A advogada compõe a chapa do atual favorito na disputa, segundo as primeiras pesquisas de intenção de voto. 

Os aliados garantem que Jane não tinha pretensões de ser candidata novamente, mas o perfil atendia aos interesses da campanha de Eduardo Paes. Uma mulher, cristã e da Baixada Fluminense. Com a escolha, o prefeito busca atrair o eleitorado conservador na região metropolitana do estado. A indicação foi feita por Washington Reis, que dirige do MDB no Rio.

Em entrevista a VEJA, Jane afirma que o sobrenome traz responsabilidade e não privilégio. A advogada minimiza a falta de experiência em gestão e argumenta que nem toda experiência pública passa necessariamente por mandato. “Muitas vezes, ela acontece na construção, na articulação e na execução”, defende. “Cresci acompanhando campanhas, reuniões e decisões importantes.”

Os Reis tem uma relação de proximidade com a família Bolsonaro. Washington e o ex-presidente foram vereadores simultaneamente, um em Duque de Caxias e o outro no Rio, e se conhecem desde então. Quando era prefeito, Washington cedeu, a pedido do senador Flávio Bolsonaro, o terreno onde seria construído o colégio militar Percy Geraldo Bolsonaro, uma homenagem ao pai do ex-presidente, falecido em 1995. Quando a aliança com Eduardo Paes foi selada, Washington telefonou a Flávio para dar a notícia. O senador ainda pediu mais tempo para fazer uma contraproposta, mas a decisão estava tomada. Questionada sobre o apoio de Lula a Eduardo Paes, e sobre como ficará o palanque quando o presidente vier fazer campanha no Rio, Jane não hesita: “A composição foi definida de forma clara: o MDB do Rio apoia Eduardo Paes ao governo e Flávio Bolsonaro para presidente”.

Leia a entrevista completa com Jane Reis:

Por que usa Jane e não Jeannie?

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Sempre usei Jane. É assim que minha família, meus amigos e as pessoas me conhecem desde sempre. Foi com esse nome que construí minha trajetória, desde quando comecei na política. Jane faz parte da minha identidade.

Por que a senhora foi escolhida para ser vice do Eduardo?

Porque o PSD e o MDB decidiram unir forças para formar uma chapa que possa renovar a política do Rio de Janeiro. Dentro do MDB, meu nome foi construído ao longo de muitos anos de atuação política, organizando o partido na Baixada Fluminense, dialogando com lideranças, participando das articulações e fortalecendo a presença das mulheres nos espaços de decisão. Fui escolhida pelo meu perfil de diálogo, firmeza e capacidade de construir pontes. Acredito na política como instrumento de transformação, desenvolvimento e também de cuidado. Cuidar, para mim, não é algo pequeno. É assumir responsabilidade, é tomar decisões que impactam vidas, é garantir que as políticas públicas funcionem de verdade. É isso que quero levar para o governo como vice-governadora: estratégia, presença e compromisso com as pessoas.

Como é fazer parte de uma família tradicional da política?

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Tenho muito orgulho da minha família e da história que construímos. Cresci acompanhando campanhas, reuniões e decisões importantes. Comecei aos 17 anos ajudando na organização partidária, depois atuei como coordenadora e advogada em campanhas e projetos públicos. Mas sempre entendi que sobrenome traz responsabilidade, não privilégio. 

A senhora nunca exerceu um cargo eletivo. O que a preparou para ser vice-governadora?

A vida me preparou. Aprendi na prática. Atuei durante anos na estrutura partidária, auxiliei a gestão pública em Duque de Caxias e estou como voluntária da Fazenda Paraíso desde sua criação, um projeto reconhecido no Brasil pelo atendimento e recuperação de dependentes químicos. Ali, aprendi que gestão exige sensibilidade, organização e responsabilidade. Nem toda experiência pública passa necessariamente por mandato. Muitas vezes, ela acontece na construção, na articulação e na execução.

Lula estará no palanque do Eduardo, mas a família Reis é identificada com o bolsonarismo. A senhora participará das agendas com o presidente quando ele vier ao Rio?

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A composição foi definida de forma clara: o MDB do Rio apoia Eduardo Paes ao governo e Flávio Bolsonaro para presidente.

Como o perfil da senhora complementa o do Eduardo?

Acredito que posso contribuir com uma presença mais próxima das regiões da Baixada e do interior, onde construí minha trajetória. Sou mulher, cristã, mãe, advogada, e tenho diálogo com o público evangélico e com lideranças regionais. Venho da articulação partidária e do contato direto com as pessoas. Essa soma de experiências pode fortalecer a construção de um projeto mais amplo e equilibrado para o Estado.

Considera que Douglas Ruas e Rogério Lisboa formam uma chapa forte?

Não é meu papel analisar as chapas adversárias. Deixo isso para vocês, jornalistas e analistas políticos.

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