Oferta hexa: Assine por apenas 5,99

A estratégia do PT para conter danos com o segmento evangélico

Em carta aos fiéis, PT busca romper resistências com evangélicos, associando pautas sociais a valores cristãos e criticando o uso político da fé

Por Ricardo Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 jun 2026, 10h59 | Atualizado em 9 jun 2026, 11h48
A estratégia do PT para conter danos com o segmento evangélico Priorizar nos meus resultados Google

Historicamente rejeitado por grande parte do eleitorado evangélico brasileiro, o Partido dos Trabalhadores (PT) realizou, na segunda-feira, 8, um evento com pastores progressistas e lançou um documento na tentativa de reduzir resistências e abrir diálogo com esse segmento religioso.

A iniciativa busca reposicionar a imagem do partido ao aproximar suas pautas sociais de valores cristãos junto à parcela que corresponde a 27%  da população, segundo o IBGE e que tem se alinhado com setores da direita e do bolsonarismo, nas últimas eleições.

A estratégia seguida na carta divulgada durante o encontro foi traçada por um grupo de trabalho estabelecido na Fundação Perseu Abramo, que tem se dedicado ao tema e tenta estabelecer que as maiores denominações do país permitiram que a política subisse de vez aos púlpitos, colocando a religião em segundo plano.

“Rejeitamos toda tentativa de transformar a religião em instrumento de manipulação política, e denunciamos aqueles que usam do Evangelho como negócio”, diz o documento.

A mesma orientação foi utilizada pelo presidente Lula ao justificar sua ausência na Marcha para Jesus, ocorrida no feriado de Corpus Cristi. Ao apóstolo Estevam Hernandes, o organizador do evento à frente da Renascer em Cristo, o mandatário disse que não queria “misturar política e religião”.

Continua após a publicidade

Faixas com a mensagem “igreja sem política” foram estendidas na parada, enquanto nomes de direita, como o senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes discursaram no palco principal.

Sem citar nomes, o PT tenta colar nos pastores de maior influência a pecha de “mercadores da fé”. A única liderança nomeada no evento foi Silas Malafaia, caracterizado pela primeira-dama, Janja da Silva, como “insignificante”, durante sua fala. A esposa de Lula tinha sido criticada pelo pastor por realizar encontros com lideranças femininas à frente de denominações do campo progressista, com menor penetração.

O PT aposta ainda na grande fragmentação entre os fiéis, já que nenhuma igreja conta com um rebanho superior a 11%. No documento, a legenda ressalta a forte presença nas camadas populares da sociedade e exalta: “Estamos presentes nas periferias, nos campos, nas cidades, compartilhamos as mesmas alegrias, preocupações e esperanças do povo brasileiro”.

Continua após a publicidade

A partir dessa identificação, a carta associa políticas públicas defendidas pelo PT a valores cristãos, mencionando programas como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Farmácia Popular como exemplos de cuidado com os mais vulneráveis.

O aceno do partido de esquerda acontece num momento em que o alinhamento das principais denominações com a candidatura de Flávio Bolsonaro ainda não ocorreu. Na Marcha para Jesus, Hernandes chegou a dizer o apoio seria “uma tendência natural”, mas não conta com 100% do segmento.

O Ministério Madureira da Assembleia de Deus está comprometido com a campanha de Ronaldo Caiado (PSD). Já Silas Malafaia, assembleano que comanda a Vitória em Cristo, e Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, ainda aguardam os desdobramentos políticos para se posicionarem. Os dois preferiam apoiar Tarcísio de Freitas.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner com fundo escuro e pontos de luz dourados. À esquerda, um ícone de árvore estilizada e a palavra Abril em dourado. Ao centro, o número 76 em dourado, com efeito tridimensional. À direita, o texto ANOS FAZENDO HISTÓRIA. HOJE, VOCÊ FAZ PARTE DELA. em douradoBanner da Abril comemorando 76 anos. O número 76 dourado e grande à esquerda, com o logo da Abril e a frase ANOS FAZENDO HISTÓRIA. HOJE, VOCÊ FAZ PARTE DELA. À direita, Assine com preço especial de aniversário e um botão dourado ASSINE AGORA, sobreposto a várias capas de revistas como Veja e Superinteressante
ECONOMIZE ATÉ 29% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 39,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).