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A intensidade dos exercícios para reduzir o risco de diabetes tipo 2, segundo estudo

Pesquisa investigou como o nível de intensidade do exercício e o horário de treino afetavam o risco de desenvolver a doença entre quase 90 000 participantes

Por Camila Mazzotto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 set 2026, 07h00 | Atualizado em 23 set 2026, 10h48
A intensidade dos exercícios para reduzir o risco de diabetes tipo 2, segundo estudo Priorize VEJA no Google

Exercícios físicos de intensidade moderada a vigorosa, como caminhada rápida, corrida ou ciclismo, podem reduzir significativamente o risco de desenvolver diabetes tipo 2, especialmente entre adultos com 63 anos de idade ou mais. A conclusão é de uma pesquisa que foi recentemente apresentada na Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), em Milão, na Itália.

O estudo, conduzido por pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Leiden, na Holanda, investigou como o nível de intensidade do exercício físico e o horário de treino afetavam o risco de desenvolver a doença entre quase 90 000 participantes.

Segundo a pesquisa, adultos com menos de 63 anos que praticavam uma média de 121 minutos de atividade física moderada a vigorosa (AFMV) por semana apresentaram mais que o dobro do risco de desenvolver diabetes tipo 2 em comparação com aqueles que praticavam uma média de 409 minutos por semana.

Em contrapartida, entre adultos com 63 anos ou mais, níveis mais baixos de AFMV foram associados a um risco relativo 65% maior de desenvolver diabetes tipo 2, ou seja, mais do que o dobro.

Segundo os pesquisadores, a principal conclusão é que todos os adultos devem ser incentivados a serem o mais ativos possível, já que mais atividade física está associada a um menor risco de diabetes tipo 2.

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Mas, como o risco geral de desenvolver a condição é maior na terceira idade, incentivar mais idosos a serem fisicamente ativos poderia prevenir mais casos da doença nessa faixa etária.

Como o estudo foi feito

A investigação incluiu dados de 87.975 adultos sem histórico de diabetes que participaram do UK Biobank, o maior banco de dados de saúde pública do Reino Unido, entre fevereiro de 2013 e dezembro de 2015. A idade média era de 63 anos.

Os participantes usaram um acelerômetro no pulso durante sete dias consecutivos para registrar seus níveis típicos de atividade física, que foram categorizados como baixos ou altos com base na média de minutos semanais de atividade física moderada a vigorosa em cada faixa etária.

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Durante um acompanhamento médio de 7,7 anos, 2.140 participantes (2,4%) desenvolveram diabetes tipo 2, sendo:

  • 748 entre os 44.020 participantes do grupo de exercícios de maior volume (que tiveram uma mediana geral de 409 minutos de atividade física moderada a vigorosa por semana); e
  • 1.392 entre os 43.955 participantes no grupo de exercícios de menor volume (que tiveram uma mediana geral de 121 minutos).

O que os pesquisadores descobriram

A análise revelou que os participantes do grupo com menor nível de atividade física moderada a vigorosa, que não atingiram os 150 minutos semanais recomendados, apresentaram o dobro do risco relativo de desenvolver diabetes tipo 2 em comparação com aqueles do grupo com maior nível de atividade.

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O resultado se deu após considerar potenciais fatores de confusão, incluindo idade, sexo, etnia, escolaridade, nível de privação socioeconômica, tabagismo, duração do sono e histórico familiar de diabetes.

Além disso, adultos que realizavam a maior parte de seus exercícios físicos no final do dia, das 13h à meia-noite, apresentavam um risco relativo 10% menor de desenvolver diabetes tipo 2 do que aqueles que se exercitavam mais cedo, das 5h da manhã até antes das 13h.

O estudo também mostra que o exercício físico parece trazer um benefício proporcionalmente menor contra o diabetes tipo 2 conforme a idade avança.

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Ao mesmo tempo, o número real de casos evitados aumenta com a idade, já que o risco geral de diabetes também cresce nessa fase da vida. Portanto, mesmo uma redução relativa menor previne mais casos em termos absolutos.

Segundo a autora do estudo, Qiuyu Feng, os resultados reforçam a importância de analisar tanto o risco relativo quanto o absoluto ao considerar o impacto da atividade física na saúde pública.

O risco relativo se refere a “quantas vezes menor” é a chance de ter diabetes tipo 2 se a pessoa se exercita mais, comparado a quem se exercita menos. É uma proporção. Já a diferença absoluta diz respeito a quantos casos de diabetes, em números reais, são evitados por causa do exercício.

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“O risco relativo, por si só, não capta o quanto a atividade física poderia ajudar a reduzir o número de casos em diferentes grupos populacionais”, explicou Feng, em nota sobre o estudo.

A autora também destacou que os resultados apoiam recomendações semelhantes para a prática de atividade física moderada a vigorosa em grupos populacionais específicos, incluindo idosos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana para adultos. A recomendação é a mesma para idosos ou pelo menos 75 a 150 minutos de atividade física aeróbica de vigorosa intensidade.

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