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A lei do foco e as atitudes que podem salvar sua concentração

Especialistas holandeses lançam guia para preservar uma das capacidades cognitivas mais arruinadas pela vida moderna

Por Diogo Sponchiato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 jul 2026, 17h00 | Atualizado em 14 jul 2026, 13h20
A lei do foco e as atitudes que podem salvar sua concentração Priorizar nos meus resultados Google

O foco é um estado mental que fica no meio do caminho entre o tédio e o estresse. Eis uma lei que o psicólogo holandês Mark Tigchelaar pensou ter descoberto sozinho até que, entre aulas e pesquisas, um aluno lhe mostrou que o princípio já tinha sido formulado no início do século XX por dois estudiosos americanos. Eles desenvolveram a Lei de Yerkes-Dodson, que merece ser conhecida se quisermos recuperar um dos bens mais furtados e almejados destes tempos.

A lei do foco diz que, se não somos estimulados o bastante, perdemos a concentração. E, se somos bombardeados por estímulos em excesso, nos estressamos e a atenção vai pelo ralo. O foco seria, portanto, um meio-termo nesse fluxo de energia mental, o que pode ser visualizado na representação gráfica abaixo:

Gráfico em preto e branco mostrando a relação entre concentração e estímulos. O eixo vertical indica Concentração (Baixa a Alta) e o horizontal, Estímulos (Escassez a Excesso). Uma curva em arco representa Foco e fluxo, atingindo o pico de concentração. À esquerda, Tédio (Escassez de estímulos) torna tarefas simples desafiadoras. À direita, Estresse (Excesso de estímulos) torna tarefas estressantes mais fáceis
(Gráfico: Sextante/Reprodução)

Mas esse princípio é apenas um dos elementos a embasar o livro Foco: Liga/ Desliga, que Tigchelaar acaba de publicar junto ao cofundador da Focus Academy, Oscar de Bos, pela editora Sextante. Trata-se de um guia, amparado em ciência e experiências concretas, destinado a quem está em busca da concentração perdida – ou quer zelar por ela.

A dupla de especialistas expõe o que chamam de os “quatro furos de concentração”, os fatores capazes de corroer a capacidade de nos mantermos ligados adequadamente em uma atividade. São eles: a escassez de estímulos (vulgo tédio), o excesso de estímulos internos (ideias e tarefas que empilhamos), o excesso de estímulos externos (as missões a serem cumpridas em casa e no trabalho) e a falta de combustível físico e mental (bastante ligada aos maus hábitos).

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Como se vê, a lei do foco passa por esses “furos” e aprender a manejá-los é, segundo os autores, a fórmula mais eficaz para se libertar da sensação de nunca conseguir se conectar com nada no momento presente ou daquela culpa de jamais concluir uma tarefa direito.

Capa do livro Foco de Mark Tigchelaar e Oscar de Bos. Fundo laranja com título em letras pretas grandes. Abaixo, um interruptor cinza com uma lâmpada acesa no lado Liga e Desliga no outro. O subtítulo diz: Dicas da neuropsicologia para concentrar sua atenção no que realmente importa e se desconectar de tudo quando necessário. Logotipo da editora Sextante na parte inferior
‘Foco: Liga/ Desliga’, de Mark Tigchelaar e Oscar de Bos, Editora Sextante, 192 páginas (Capa: Sextante/Reprodução)

A obra transpõe, assim, a teoria para a prática, reunindo um manancial de conselhos para gerenciar a rotina em meio aos principais ladrões de foco da atualidade, as telas dos celulares e computadores. “Quando trabalhamos no computador, alternamos entre tarefas 566 vezes por dia, em média. Isso equivale a uma vez a cada 50 segundos”, revelam os autores. Impossível não ficar estressado – ou maluco!

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O desafio é que, fora do escritório (ou do home office), a dispersão cognitiva continua à solta. “Smartphones são chupetas de gente grande”, advertem Tigchelaar e De Bos, que ensinam artifícios com o objetivo de criar uma relação mais saudável com as telas, sem ter de jogar o celular pela janela.

No fundo, o que os experts compartilham são lições factíveis para não cairmos nos extremos da lei do foco e, dessa maneira, evitarmos que a tão cobiçada concentração vire artigo de luxo.

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