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A mais nova ameaça a que estão expostas pessoas que usam drogas recreativas

Estudo da Universidade de Cambridge analisou dados de mais de 100 milhões de pessoas e mostrou hábito especialmente perigoso para jovens

Por Paula Felix Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 mar 2026, 18h10 | Atualizado em 20 mar 2026, 18h50

O acidente vascular cerebral (AVC) se destaca na lista dos problemas de saúde que mais causam mortes — é o maior “assassino” do Brasil — e está no centro dos debates sobre como mitigar os riscos com mudanças no estilo de vida, como evitar o sedentarismo e a alimentação rica em ultraprocessados. Mas há um fator até então pouco aprofundado que figura entre os gatilhos e ganhou holofotes em um estudo da Universidade de Cambridge que analisou dados de mais de 100 milhões de pessoas: o uso de drogas recreativas, hábito que mais que dobra o risco de AVC em jovens. Os achados foram publicados no International Journal of Stroke.

Os cientistas seguiram os indícios de que o uso de anfetaminas, cocaína e maconha pode estar ligado ao aumento de casos de AVC. O problema é que nem todas as evidências disponíveis conseguiam cravar essa hipótese. Para fazer uma avaliação mais precisa, um grupo do Departamento de Neurociências Clínicas da universidade britânica reuniu informações de todos os estudos sobre o tema, ou seja, usou o método de meta-análise, e passou a trabalhar com dados de mais de 100 milhões de pessoas.

No caso das pessoas que usam anfetaminas, o risco de AVC foi 122% maior. No caso da cocaína, houve incremento de 96% e chegou a quase 40% entre os usuários de maconha.

No recorte por idade, o cenário foi mais preocupante. Ao verificar a população com menos de 55 anos, o consumo de anfetaminas quase triplicou o risco, saltando para 174%. A cocaína não apresentou variação significativa (97%) e o índice teve aumento de 14% entre as pessoas que usavam cannabis.

“Esta é a análise mais abrangente já realizada sobre o uso de drogas recreativas e o risco de AVC e fornece evidências convincentes de que drogas como cocaína, anfetaminas e cannabis são fatores de risco causais para o AVC. Essas descobertas nos dão evidências mais robustas para orientar pesquisas futuras e estratégias de saúde pública”, disse, em comunicado, Megan Ritson, integrante do Grupo de Pesquisa sobre AVC da Universidade de Cambridge.

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Como as drogas aumentam o risco de AVC

Na investigação, os cientistas mapearam os possíveis fatores relacionados com a elevação do risco de AVC entre quem faz consumo de substâncias ilícitas de forma recreativa. Alterações no ritmo cardíaco, picos repentinos de pressão arterial, processos inflamatórios e aumento da coagulação sanguínea são alguns deles.

O uso de cocaína demonstrou associação com casos de hemorragia cerebral e acidente vascular cerebral cardioembólico, quando um coágulo formado no coração se desprende, é levado pela corrente sanguínea até o cérebro e impede a circulação do sangue, causando danos cerebrais. No caso da maconha, são mais comuns casos de AVC em grandes artérias.

“Nossa análise sugere que são essas próprias drogas que aumentam o risco de AVC e não apenas outros fatores de estilo de vida entre os usuários. Em conjunto, nossas descobertas enfatizam a importância de medidas de saúde pública para reduzir o abuso de substâncias como forma de também ajudar a reduzir o risco de AVC”, declarou Eric Harshfield, pesquisador da Alzheimer\’s Society e um dos autores do estudo.

 

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