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Algoritmo eleva detecção de câncer de fígado de 55% para 72%, segundo estudo

Análise comparou tecnologia GAAD com o uso de ultrassom no diagnóstico de carcinoma hepatocelular, tipo mais comum do tumor no órgão

Por Paula Felix Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 abr 2026, 10h00 | Atualizado em 21 abr 2026, 11h27

Um estudo apontou eficácia de um algoritmo desenvolvido para rastrear episódios de carcinoma hepatocelular, tipo mais comum de câncer de fígado. Em comparação com exames de ultrassonografia, a tecnologia elevou o diagnóstico precoce das lesões de 55% (com o método de imagem) para 72%. Os achados foram publicados no periódico Journal of Medical Economics.

Além de testar a eficácia do método, o levantamento tinha a proposta de avaliar a custo-efetividade da inclusão do método no acompanhamento de pacientes em monitoramento para tumores no fígado.

Para validação da tecnologia, batizada como GAAD, os pesquisadores elaboraram um modelo de microssimulação a partir de dados de 100.000 pacientes italianos diagnosticados com câncer colorretal com indicação de observação para carcinoma hepatocelular em função de quadros de cirrose. O algoritmo foi comparado com ultrassom isolado e ultrassom combinado a biomarcadores. Foi avaliado ainda o uso de GAAD e ultrassom.

“Embora o modelo de microssimulação tenha sido baseado principalmente em evidências da literatura, dados do mundo real italianos foram incorporados tanto para simular uma coorte representativa de pacientes com carcinoma hepatocelular, capturando a evolução epidemiológica da doença nos últimos anos, quanto para orientar os padrões de tratamento, garantindo que o modelo reflita com precisão a prática clínica atual”, escreveram os autores.

O algoritmo GAAD, desenvolvido pela Roche Diagnóstica, gera um escore de risco para desenvolvimento do câncer de fígado a partir da análise de quatro variáveis: sexo, idade e os biomarcadores sanguíneos AFP e PIVKA-II. A ferramenta pode integrar plataformas digitais de laboratórios para apresentar, de forma automática, os resultados.

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“Um dos principais desafios do câncer de fígado é que ele pode evoluir de forma silenciosa e, em muitos casos, o ultrassom isolado pode ter limitações para identificar tumores muito pequenos ou presentes em fígados já comprometidos pela cirrose. A chegada do algoritmo poderia representar uma ferramenta complementar, funcionando como uma espécie de ‘segunda opinião’ digital”, diz Carolina Pimentel, hepatologista e professora da pós-graduação em gastroenterologia da Afya Educação Médica São Paulo.

Assim como em outros tumores, a detecção em estágio inicial faz diferença nas condutas adotadas para combater a doença. “De forma geral, o diagnóstico precoce seria um fator determinante para ampliar as chances de tratamento e melhorar o prognóstico dos pacientes. Para o paciente, a identificação da doença em estágios mais iniciais significa mais possibilidades terapêuticas, como cirurgia ou transplante, em vez de abordagens focadas apenas no controle da doença”, explica.

Eficácia no diagnóstico

O ser comparado com o ultrassom, o método aumentou os diagnósticos precoces de 55% para 72%. O índice de falsos negativos da estratégia foi de 0,6%, um indício de que o percentual de falhas é residual.

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No que diz respeito ao impacto econômico, um dos alvos do estudo, o grupo encontrou potencial para incorporação em sistemas de saúde, inclusive por ter levado à redução de custos por paciente na ordem de 100 euros (cerca de 585 reais na cotação atual).

“A publicação reforça o papel das soluções digitais no avanço da medicina diagnóstica. Ao integrar ciência, dados e tecnologia, ferramentas baseadas em algoritmos clínicos têm potencial para ampliar a precisão do rastreamento, apoiar a tomada de decisão médica e gerar ganhos de eficiência para hospitais e sistemas de saúde”, afirmou Carlos Martins, CEO da Roche Diagnóstica.

Câncer de fígado

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), são estimados 12.350 novos casos de câncer de fígado para cada ano do triênio de 2026 a 2028 no Brasil.

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Tabagismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, obesidade e o uso de esteroides anabolizantes estão entre os principais fatores de risco para o tumor. A cirrose hepática e a hepatite crônica também têm relação com o desenvolvimento das lesões.

Os principais sintomas são dor abdominal, distensão abdominal, perda de peso sem explicação, perda de apetite, mal-estar, tonalidade amarelada na pele e nos olhos (icterícia) e acúmulo de líquido no abdômen (ascite).

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