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Azeite extravirgem pode ter vantagem para o cérebro, sugere estudo

Estudo com 656 idosos indica que azeite extravirgem pode desempenhar papel protetor na saúde cognitiva

Por Camila Mazzotto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 jun 2026, 13h00
Azeite extravirgem pode ter vantagem para o cérebro, sugere estudo Priorizar nos meus resultados Google

Diversos tipos de azeite podem fazer parte de uma dieta saudável, mas o azeite extravirgem ocupa o lugar mais nobre na prateleira dos benefícios à saúde. É o que sugere um novo estudo publicado na revista científica Microbiome, que investigou como o consumo de diferentes tipos de azeite pode influenciar a saúde cognitiva e a microbiota intestinal — as bactérias que vivem no intestino — conforme envelhecemos.

O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade Rovira i Virgili, na Espanha, contou com 656 pessoas entre 55 e 75 anos de idade. Seu foco foi analisar os efeitos do consumo de azeite de oliva comum em comparação ao azeite extravirgem.

Segundo os cientistas, essa distinção é importante porque, embora o consumo de azeite já tenha sido associado a benefícios para a cognição, muitos estudos anteriores não levaram em conta as diferenças entre os tipos do produto.

O azeite extravirgem é menos processado e mantém mais compostos naturais com propriedades anti-inflamatórias que podem fazer bem à saúde, enquanto o azeite comum passa por um refinamento que reduz parte dessas substâncias.

Azeite extravirgem pode desempenhar papel protetor na saúde cognitiva

Ao longo de dois anos, os pesquisadores acompanharam o tipo de azeite consumido pelos participantes, que tinham que preencher um questionário de frequência alimentar. Eles também fizeram testes que medem a capacidade cognitiva, incluindo memória, atenção, linguagem e orientação. Já a microbiota intestinal foi avaliada por meio de amostras de fezes.

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    O trabalho descobriu que aqueles que tiveram maior ingestão de azeite extravirgem, em comparação com os de menor ingestão, apresentaram melhorias na função cognitiva global, incluindo memória e raciocínio, bem como em domínios específicos como função executiva e linguagem.

    Segundo o artigo, as descobertas corroboram pesquisas anteriores que sugerem que o azeite extravirgem, em particular, pode desempenhar um papel protetor na saúde cognitiva. Mas esse efeito, de acordo com o estudo, não seria direto apenas do azeite.

    Os pesquisadores sugerem que existe um possível “intermediário” nesse processo: a microbiota intestinal. Isso porque eles também encontraram diferenças notáveis ​​na diversidade microbiana dependendo do tipo de azeite consumido.

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    Uma maior ingestão de azeite virgem extra foi associada a uma maior diversidade da microbiota intestinal, enquanto uma maior ingestão de azeite comum foi associada a uma menor diversidade.

    Certas espécies bacterianas foram associadas a melhores resultados cognitivos, como uma chamada Adlercreutzia. Por isso, a microbiota funcionaria como uma espécie de “ponte” entre o consumo do azeite e os efeitos no cérebro, mas os autores afirmam que ainda são necessários mais estudos clínicos para analisar essa relação.

    Limitações

    Vale ressaltar que o estudo é observacional, o que significa que os pesquisadores não “testaram” o azeite em um experimento controlado para provar causa e efeito. Eles apenas observaram pessoas e identificaram associações, ou seja, viram que certos processos acontecem juntos (consumo de azeite, mudanças no intestino e cérebro), mas não podem afirmar que uma coisa causa a outra.

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    Além disso, a pesquisa foi feita com pessoas idosas de um país mediterrâneo, onde o azeite já faz parte da alimentação tradicional. Por isso, os resultados podem ser influenciados pelo estilo de vida e pela dieta dessa população específica.

    De modo geral, os resultados reforçam a descoberta de que nem todos os azeites têm os mesmos efeitos na saúde. Na prática, isso ajuda a explicar por que o extravirgem costuma ser a opção mais valorizada dentro de uma alimentação equilibrada, e por que vale a pena priorizá-lo na hora de escolher o produto no supermercado.

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