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Brasileiros estudam colírio feito com sangue para síndrome do olho seco

Medicamento biológico pode ajudar pacientes com problemas na produção de lágrimas que não respondem à terapia convencional; foco é em pacientes do SUS

Por Paula Felix Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 jan 2026, 12h00 | Atualizado em 7 jun 2026, 09h35
Brasileiros estudam colírio feito com sangue para síndrome do olho seco Priorizar nos meus resultados Google

A síndrome do olho seco é um problema incômodo pela sensação de ardência e de que há um corpo estranho no local, visão turva e vermelhidão, mas pode se agravar e levar à cegueira. Causada por deficiência na produção de lágrimas, o que impacta na lubrificação ocular, está se tornando uma condição cada vez mais frequente em função da alta exposição às telas e da poluiçãoestima-se que 90% dos jovens de 18 a 25 anos tenham algum tipo de sintoma—.

Diante desse cenário, um grupo de pesquisadores brasileiros da Fundação Pró-Sangue Hemocentro de São Paulo e do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) está estudando um colírio biológico, feito à base do sangue dos próprios pacientes, para aumentar a oferta de tratamentos para pessoas que não se adaptam às opções disponíveis e direcionar a terapia a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

A pesquisa com o colírio biológico, feita em parceria com a JP Indústria Farmacêutica S.A., tem como objetivo desenvolver um tratamento que tenha as características mais aproximadas da lágrima do paciente, considerando que algumas pessoas não têm resultados satisfatórios com as lágrimas artificiais.

A substância produzida naturalmente pelas glândulas lacrimais é composta não só por água, mas por sais minerais, proteínas e gorduras capazes de limpar e proteger toda a estrutura ocular. Com o material do próprio paciente, os pesquisadores buscam alcançar as mesmas funções.

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A preocupação com a síndrome do olho seco se dá pelo fato de que ela pode ser incapacitante. “As complicações mais sérias, que afetam diretamente a integridade do olho e a clareza da visão, são inflamação da córnea, erosões e úlceras de córnea, infecções oculares recorrentes, cicatrizes corneanas e perda de visão”, explica o hematologista Alfredo Mendrone, um dos coordenadores da pesquisa. “Além disso, há complicações menos perigosas, mas que afetam o dia a dia dos pacientes prejudicando sua qualidade de vida, como visão embaçada, fotofobia e intolerância a lentes de contato.”

Como o colírio é feito

Para preparar o colírio em estudo, foi necessário desenvolver um novo sistema de coleta de sangue com uma bolsa sem o anticoagulante normalmente utilizado e sem contato algum com o ar — o sistema fechado —, para evitar possíveis contaminações.

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“A partir do próprio sangue do paciente, é utilizada uma bolsa de sangue especial na qual o soro do paciente é separado do sangue e depois diluído com solução fisiológica em sistema fechado, gerando doses individuais diárias para o tratamento por cerca de 60 dias”, diz o coordenador do estudo. “O mecanismo de ação se baseia no fato de que o soro do sangue contém um concentrado de substâncias muito semelhante aos componentes da lágrima natural saudável.”

O soro é colocado em flaconetes e entregue congelado aos voluntários, garantindo a preservação do conteúdo. A proposta já foi submetida à patente.

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Até o momento, o colírio foi testado em 14 pacientes e 11 tiveram resultados satisfatórios. Três não apresentaram resposta, mas tinham doenças autoimunes ativas. A meta é atingir 40 voluntários para ter uma base estatística que comprove a segurança e a eficácia do método.

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