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Calor 5°C acima da média pode elevar em 22% internações por infecção gastrointestinal

Bebês menores de 1 ano são o grupo mais suscetível, segundo revisão de estudos científicos apresentada durante Congresso Brasileiro de Pediatria

Por Camila Mazzotto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 out 2026, 17h00 | Atualizado em 19 out 2026, 11h51
Calor 5°C acima da média pode elevar em 22% internações por infecção gastrointestinal Priorize VEJA no Google

O fenômeno El Niño, que deve continuar se intensificando nos próximos meses, segundo o alerta mais recente da ONU, pode causar um impacto significativo na saúde digestiva, especialmente entre o público infantil.

A cada aumento de 5ºC na temperatura média diária, o risco de hospitalização por infecção gastrointestinal está associado a um aumento de 22% nos nove dias seguintes, segundo um estudo nacional que analisou dados de 1. 814 municípios brasileiros, abrangendo mais de 78% da população.

Os dados foram apresentados a médicos durante o Congresso Brasileiro de Pediatria, realizado em Belo Horizonte no início de outubro.

De acordo com o levantamento, bebês menores de 1 ano foram o grupo mais suscetível, e as infecções transmitidas pela água e pelos alimentos apresentaram maior associação com temperaturas elevadas.

“O El Niño tem uma relação bastante interessante com a saúde digestiva, especialmente por meio de temperatura, chuvas e enchentes, qualidade da água, segurança dos alimentos e doenças infecciosas entéricas”, avalia Cristina Targa Ferreira, gastropediatra e uma das especialistas responsáveis pela pesquisa.

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O dossiê foi desenvolvido a partir de uma revisão de evidências científicas, estudos publicados, dados de órgãos oficiais e contribuições de especialistas em diferentes áreas da saúde e meteorologia. O material tem caráter informativo e educativo, com conteúdo de responsabilidade dos autores, e foi patrocinado pela farmacêutica Opella.

Qual a relação entre El Niño e saúde digestiva?

Na prática, o aumento das temperaturas pode facilitar a exposição a doenças. Em períodos de seca, a redução da disponibilidade de água pode comprometer práticas de higiene e favorecer o seu armazenamento inadequado.

Já chuvas intensas e enchentes podem sobrecarregar sistemas de saneamento e aumentar o risco de contaminação da água e dos alimentos por microrganismos.

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Os impactos variam conforme a intensidade do evento, a época do ano e outros fatores climáticos. No Norte e no Nordeste, por exemplo, períodos de seca, calor intenso e baixa umidade podem aumentar a pressão sobre os recursos hídricos.

No Sul, episódios de chuva intensa e enchentes podem comprometer o abastecimento e a qualidade da água. Além disso, populações rurais e comunidades com acesso limitado à água potável, saneamento e serviços de saúde podem sofrer impactos maiores.

O dossiê chama a atenção para a relação entre condições ambientais e microbiota intestinal, conjunto de microrganismos que participa da digestão, da resposta imunológica e da manutenção do equilíbrio do organismo.

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Segundo os pesquisadores, os dados apontam para a importância da abordagem preventiva com relação à saúde do intestino.

“A abordagem preventiva diante dos eventos climáticos deve olhar para a saúde do tubo digestivo como um todo. Isso envolve desde a higiene e a segurança dos alimentos até o cuidado contínuo com a imunidade e a integridade da microbiota”, avalia a gastropediatra Cristina Targa Ferreira, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), que também participou do levantamento.

A prevenção das infecções gastrointestinais envolve cuidados com a hidratação, higiene das mãos, segurança dos alimentos e qualidade da água. Essas medidas ajudam a reduzir a exposição a fatores de risco, especialmente em períodos de calor intenso, seca ou enchentes.

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Em crianças pequenas, sinais como redução da urina, boca seca, ausência de lágrimas ao chorar, sonolência ou prostração podem indicar desidratação e exigem avaliação de um profissional de saúde.

Quadros de diarreia intensa, principalmente acompanhados de febre, sangue nas fezes, vômitos persistentes ou sinais de desidratação também demandam atenção médica.

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