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Como dispositivo salvou a vida de Eriksen, dinamarquês que deu susto em campo

Jogador de futebol passou mal no último domingo e partida contra Ucrânia teve de ser interrompida; morte súbita pode ser evitada

Por Paula Felix Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 jun 2026, 14h55
Como dispositivo salvou a vida de Eriksen, dinamarquês que deu susto em campo Priorizar nos meus resultados Google

No último domingo, 7, circularam as imagens do meio-campista dinamarquês Christian Eriksen, de 34 anos, caindo em campo durante a partida entre Dinamarca e Ucrânia após passar mal. Nesses episódios, a maior preocupação dos jogadores e das equipes médicas é de que se trate de um episódio de morte súbita, mas, ali, um dispositivo cumpriu seu papel e salvou a vida do jogador: o cardiodesfibrilador implantável, ou CDI, aparelho semelhante a um marca-passo que monitora o funcionamento do coração e é capaz de agir em eventos cardíacos que coloquem a vida da pessoa em risco.

Essa não foi a primeira vez que Eriksen deu um susto em colegas de partida e torcedores. Em 2021, em jogo contra a Finlândia pela Eurocopa, ele desmaiou e ficou inconsciente por alguns minutos até ser reanimado com massagem cardíaca e uso de um desfibrilador. Este procedimento deve ser feito rapidamente para evitar a evolução para o óbito.

“Algumas arritmias ventriculares podem levar à parada cardíaca em poucos segundos se não forem tratadas imediatamente”, explica o cardiologista Antonio Amorim, representante da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e coordenador da comunicação na Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac).

No hospital, o jogador recebeu a indicação para implantar um cardiodesfibrilador implantável e foi submetido a uma cirurgia para colocação desse atento vigilante do coração.

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Mas como a vida de Eriksen foi salva? “É provável que o dispositivo tenha identificado a arritmia e aplicado um choque elétrico para interrompê-la. Esse tipo de aparelho monitora continuamente o ritmo cardíaco e é capaz de agir rapidamente quando detecta arritmias potencialmente fatais”, diz Amorim.

Mesmo que detalhes sobre as condições de Eriksen não tenham sido amplamente divulgadas ao longo destes últimos cinco anos, fica claro que a decisão dos médicos de implantar o CDI foi para evitar desfechos negativos caso novas arritmias graves ocorressem. E, neste domingo, ficou provado que a adoção da estratégia foi acertada.

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Nesta segunda-feira, 8, o médico da seleção Dinamarquesa, Morten Boesen, declarou à Associação Dinamarquesa de Futebol que Eriksen teve boa recuperação. “Falei com Christian esta manhã e ele está bem. Ele está com a família e de bom humor.”

Nas redes sociais, o meio-campista também se manifestou com uma mensagem de agradecimento pelo atendimento e apoio que recebeu dos demais jogadores e da equipe médica ainda em campo. E deu a notícia de que já está em casa com sua família.

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Eriksen explicou que o mal-estar atual foi diferente do ocorrido em 2021 e não se esqueceu da importância do dispositivo que carrega no peito.

“Meu CDI fez exatamente aquilo que lhe foi designado: me protegeu quando eu precisei.” Agora, ele pretende se recuperar, aproveitar a família, sair de férias e jogar futebol com os filhos.

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Morte súbita

A morte súbita é um evento de parada abrupta dos batimentos cardíacos que atinge cerca de 2 milhões de pessoas por ano e que demanda urgência no atendimento. Os estudos mostram que apenas uma em dez pessoas conseguem sobreviver ao colapso e, a cada minuto sem manobras de salvamento, a possibilidade de ressuscitar a pessoa cai em 10%.

No ano passado, especialistas de dezesseis países se reuniram para avaliar as evidências mais atualizadas sobre a parada cardíaca no futebol, a principal causa médica de morte entre jogadores, e determinaram que a avaliação clínica deve ser iniciada aos 12 anos, com repetição do exame de eletrocardiograma a cada dois a quatro anos até que o atleta complete os 18.

A diretriz também prevê a adoção de ressuscitação cardiopulmonar com massagem cardíaca e o uso do desfibrilador externo automático, equipamento que avalia rapidamente o ritmo cardíaco e emite um alerta caso seja necessário aplicar um choque elétrico para restabelecer os batimentos, que deve estar situado a três minutos do campo.

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“A combinação entre prevenção, diagnóstico precoce e resposta rápida é a medida mais eficaz para reduzir a mortalidade por morte súbita no esporte”, afirma Amorim.

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