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Crescimento do surto de ebola na África preocupa OMS

Órgão afirma que a velocidade de propagação do vírus é a mais rápida já obervada no país

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 jul 2026, 12h39 | Atualizado em 10 jul 2026, 14h36
Crescimento do surto de ebola na África preocupa OMS Priorizar nos meus resultados Google

O avanço do surto de ebola na República Democrática do Congo acende alerta internacional. O Centro Africano para o Controle e Prevenção de Doenças (África CDC) afirmou nesta quinta-feira, 9, que a epidemia cresce mais rápido do que a capacidade de resposta das autoridades sanitárias. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) é o surto de expansão mais rápida já observado no país, nas primeiras semanas de transmissão. Até o momento, a OMS contabiliza 1.759 casos confirmados e 600 mortes, desde o início do surto, em maio, no nordeste do país. A União Africana declarou que o vírus “está se antecipando” às medidas de contenção, o que dificulta o isolamento dos casos e o rastreamento de contatos. 

O epicentro do início da doença foi em Mongbwalu, avançando rapidamente para a capital provincial, Bunia. A preocupação aumentou após o aparecimento de casos suspeitos em novas províncias da República Democrática do Congo, incluindo Kisangani, um importante centro urbano, elevando o risco de disseminação para outras regiões do país. 

O grande problema deste surto é ser causado pela variante Bundibugyo, para a qual ainda não existe vacina licenciada nem tratamento específico aprovado. A resposta das equipes de saúde também enfrenta obstáculos impostos pelos conflitos armados no leste do país, deslocamentos populacionais, ataques a unidades de saúde e escassez de recursos financeiros e de profissionais.

A comparação com o maior surto de ebola da história ajuda a dimensionar o risco. Entre 2014 e 2016, a epidemia que começou na África Ocidental atingiu principalmente Guiné, Libéria e Serra Leoa, mas teve reflexos em dez países ao todo, incluindo Nigéria, Mali, Senegal, Estados Unidos, Espanha, Itália e Reino Unido, em decorrência de casos importados e da infecção de profissionais de saúde. Ao longo de cerca de dois anos, foram registrados 28.616 casos e 11.310 mortes, tornando-se a mais grave epidemia de ebola já documentada. Na ocasião, embora o vírus tenha chegado a outros continentes por meio de viajantes infectados, as cadeias de transmissão foram rapidamente interrompidas e não houve disseminação sustentada fora da África.

Desde então, a República Democrática do Congo registrou diversos surtos menores, mas o atual preocupa pela velocidade inédita de crescimento. A OMS considera elevado o risco regional, mas avalia que, no momento, o risco de disseminação global permanece baixo, principalmente porque o ebola exige contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas para ser transmitido.

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