O novo achado científico para as razões que provocam a disfunção erétil
Pesquisa brasileira encontrou genes afetados em ambas as condições; distúrbio de sono aumenta em 2,7 vezes as chances de desenvolver problema sexual

Distúrbios de sono desencadeiam uma série de impactos negativos e a vida sexual não fica de fora dessas consequências. Um estudo brasileiro resolveu se aprofundar no tema e, a partir da análise de fatores genéticos, encontrou uma relação entre a apneia obstrutiva do sono e disfunção erétil. Realizada por um grupo do Instituto do Sono, em São Paulo, a pesquisa identificou biomarcadores promissores que interligam as duas condições, algo que pode abrir portas para intervenções que resultem em tratamentos mais eficazes para um problema que afeta a saúde reprodutiva e emocional dos pacientes.
A interferência do sono na vida sexual é conhecida e estima-se que homens com apneia do sono, distúrbio que causa interrupção da respiração e microdespertares, têm 2,7 vezes mais possibilidade de apresentar disfunção erétil. O salto deste estudo foi estabelecer essa conexão por meio da avaliação da base genética a partir de outras pesquisas que mapearam variações genéticas associadas ao risco para essas condições isoladamente. Ao fazer o cruzamento, a ligação foi identificada.
“O risco genético é algo muito individual, porque o genoma é como se fosse a nossa impressão digital e nosso material genético não muda ao longo da vida”, explica a geneticista Mariana Moysés Oliveira, coordenadora da pesquisa.
Mas não será preciso submeter a população masculina a exames genéticos. O achado já será importante para nortear os pacientes após o diagnóstico. “Isso significa que podemos alertar os profissionais de saúde que, quando identificarem um paciente com apneia do sono, é importante passar a investigar e alertar sobre outras questões associadas.”
Também pode contribuir para adesão ao tratamento para apneia do sono, tendo em vista que muitos pacientes não dão importância para a gravidade desse distúrbio que afeta a saúde cardiovascular, causa fadiga e sonolência diurna, inclusive podendo desencadear acidentes de trabalho ou de trânsito.
“O sono representa um terço das nossas vidas, mas ele governa e comanda os outros dois terços. A gente sabe o impacto de uma noite mal dormida”, afirma Monica Andersen, diretora de Ensino e Pesquisa do Instituto do Sono.
Sono e disfunção sexual
Há vários fatores que fazem com que a apneia do sono e a disfunção erétil estejam interligadas, entre eles, estão: envelhecimento, obesidade e aumento da circunferência do pescoço.
E também a predisposição genética. “Encontramos 205 genes associados à disfunção erétil e 2.622 de apneia do sono. Buscamos vias biológicas para encontrar um padrão e notamos que os genes em comum estão por trás de processos inflamatórios. Com os maus hábitos, como má qualidade do sono e falta de atividade física, por exemplo, há uma propensão maior para inflamação crônica, que é uma vilã”, detalha Mariana. Assim, a saúde sexual também é impactada por esses mecanismos.
O estudo encontrou 35 genes afetados nas duas condições, dos quais três demonstravam interação direta.
A próxima etapa da pesquisa será realizada com voluntários para compreender a parcela da população que é afetada por ambos os quadros. “Vamos trazer as pessoas para laboratório, analisar o risco genético e quantificar.”