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Endometriose: planos de saúde vão cobrir DIU hormonal para mulheres com a doença

Medida entra em vigor em 1º de outubro e vale para pacientes que não podem utilizar contraceptivos; entenda critérios

Por Camila Mazzotto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 set 2026, 12h00 | Atualizado em 23 set 2026, 10h43
Endometriose: planos de saúde vão cobrir DIU hormonal para mulheres com a doença Priorize VEJA no Google

Pacientes com endometriose que tenham contraindicação ou não adesão aos contraceptivos orais combinados (COC) poderão ter acesso ao DIU hormonal pelo plano de saúde. A mudança foi publicada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) nesta terça-feira, 22, e entra em vigor em 1º de outubro.

Os contraceptivos e os progestágenos são considerados tratamentos hormonais de primeira linha para controlar a dor e os sangramentos associados à endometriose e, por isso, costumam ser a abordagem recomendada pelos médicos logo após o diagnóstico da condição, que afeta entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva. Já o DIU hormonal é uma alternativa para quem não pode utilizar contraceptivos.

Pela nova regra, os planos de saúde terão a obrigatoriedade de cobrir o dispositivo intrauterino, mais conhecido como DIU, e sua inserção, nos casos em que a paciente tenha indicação de uso prevista em bula ou quando ela não puder usar ou aderir aos contraceptivos orais combinados.

O procedimento já fazia parte do rol da ANS, mas a Resolução Normativa nº 680, de 18 de setembro de 2026, alterou o rol ao criar uma diretriz que prevê a cobertura obrigatória para pacientes com endometriose que atendam aos critérios definidos pela agência.

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Vale lembrar que pacientes com esses pré-requisitos também podem ter acesso ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2025, ano em que o Ministério da Saúde anunciou um protocolo atualizado para o manejo da endometriose. O documento prevê que o DIU seja indicado para pacientes que apresentem contraindicação ou dificuldade de adesão aos contraceptivos orais combinados.

Como é o tratamento da endometriose?

A endometriose acontece quando o endométrio, tecido que reveste o útero (e todo mês descama, formando a menstruação), cresce em outras partes do corpo, como ao redor dos órgãos reprodutivos, intestino e bexiga.

Esse deslocamento do tecido pode provocar uma reação inflamatória crônica, causando dor pélvica intensa, cólicas menstruais severas, dor durante as relações sexuais e, em alguns casos, infertilidade.

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O tratamento pode ser medicamentoso, cirúrgico ou a combinação de ambos. A escolha depende de fatores como a gravidade dos sintomas, a extensão e localização da doença, o desejo de gravidez, a idade da paciente, os efeitos adversos dos medicamentos e o risco de complicações cirúrgicas.

Se a pessoa não deseja engravidar no momento, o tratamento pode focar no controle da dor e do avanço da doença, geralmente com terapia hormonal, incluindo anticoncepcionais combinados, progestágenos ou DIU hormonal ou medicamentos para alívio dos sintomas.

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Os contraceptivos orais combinados (COC), que misturam os hormônios estrogênio e progestina, inibem a ovulação e reduzem a produção de estradiol pelos ovários, o principal hormônio que estimula o crescimento do endométrio. O DIU faz algo parecido, ao impedir o crescimento do tecido endometrial para fora do útero, apesar de não inibir a ovulação.

Já se a paciente deseja engravidar, a abordagem é outra. O tratamento pode envolver estratégias para preservar a fertilidade ou facilitar a concepção, sem o uso de contraceptivos que inibem a ovulação. Isso inclui acompanhamento especializado, indução da ovulação ou, em alguns casos, cirurgia para remoção de focos da doença.

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“Ou seja, o desejo reprodutivo influencia as escolhas terapêuticas, mas não significa que a endometriose obrigatoriamente cause infertilidade ou que todas as pessoas com a doença precisarão de tratamentos específicos para engravidar”, afirma o Ministério da Saúde em página com informações sobre a doença.

Tratamentos complementares para alívio dos sintomas também podem ser indicados em ambos os casos, incluindo fisioterapia pélvica, acupuntura e acompanhamento psicológico.

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