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Estudo aponta impactos da dieta, exercícios e vitamina D em pacientes com câncer de mama

Ensaio constatou redução de 76% no risco de retorno do tumor em casos do tipo de câncer de mama mais comum

Por Paula Felix Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 jun 2026, 12h00 | Atualizado em 3 jun 2026, 17h16
Estudo aponta impactos da dieta, exercícios e vitamina D em pacientes com câncer de mama Priorize VEJA no Google

CHICAGO* – Mudar hábitos não tem hora certa e nunca é tarde demais. Isso vale para saúde em geral e um estudo apresentado na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), que reuniu 45 mil especialistas e pesquisadores em Chicago, nos Estados Unidos, mostrou que essa máxima vale para o tipo de câncer de mama mais comum, responsável pela doença em até 80% das pacientes. Com o tripé alimentação saudável, prática de exercícios e adequação dos níveis de vitamina D, pesquisadores observaram uma redução de 76% no risco de retorno da doença em pacientes que adotaram a intervenção.

O estudo italiano propôs a adoção da dieta mediterrânea com alimentos que não elevam os níveis de açúcar no sangue — como vegetais verdes e leguminosas —, caminhada rápida de 30 minutos por dia e suplementação com vitamina D, neste caso, incluída porque a deficiência do hormônio está relacionada com desfechos desfavoráveis em pessoas diagnosticadas com câncer de mama.

Essas intervenções foram escolhidas a partir da conclusão de outros estudos. Um deles, mostrou que três horas por semana de atividade física poderiam reduzir pela metade a mortalidade de pacientes com câncer de mama. Outro apontou aumento de 50% no tempo de vida em um grupo de pacientes que fazia caminhada acelerada por meia hora diariamente e consumia cinco porções de frutas e vegetais por dia. Diante desses dados, os pesquisadores resolveram montar um estudo que mostrasse resultados para a união desses bons hábitos.

Foram recrutadas para o estudo 492 mulheres de 30 a 74 anos com câncer de mama com receptor hormonal (RH) positivo com tumor que não tinha se espalhado pelo corpo, ou seja, sem metástases. Um grupo foi estimulado e aderiu às intervenções por 33 semanas. No outro, as participantes apenas receberam a orientação de seguir a dieta mediterrânea de baixo índice glicêmico e de evitar o sedentarismo.

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Na comparação entre os grupos, foi constatada a diminuição de 76% no risco de aparecimento de novas lesões cancerígenas entre as voluntárias que fizeram a mudança de hábitos.

“A gente pode alertar a população que medidas de controle de peso, dietas com menor índice glicêmico e atividade de física reduzem o risco de câncer de mama e, agora, esse estudo corrobora que, pós-diagnóstico e pós-tratamento, essas mudanças nos hábitos também trazem benefícios”, diz Mariana Laloni, oncologista e diretora médica técnica da Oncoclínicas.

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Redução do risco

A síndrome metabólica, condição que reúne fatores de risco para doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2 (como obesidade, pressão alta e índice elevado de açúcar no sangue), é reconhecida por estudos científicos como um fator relacionado ao reaparecimento de tumores de mama. No estudo, a probabilidade de sair do quadro foi 2,5 vezes maior entre as voluntárias que aderiram ao programa, um benefício adicional para as participantes.

“Tendo em vista os benefícios cardiometabólicos desse tratamento de estilo de vida e o alto risco de mortalidade por doenças cardiovasculares após o diagnóstico de câncer de mama, seria aconselhável seguir uma dieta saudável, como a mediterrânea ou similar, optando por alimentos com baixo índice glicêmico, praticando pelo menos 30 minutos de caminhada rápida diariamente, ou equivalente, e mantendo os níveis séricos de vitamina D em níveis adequados”, disse, ao Asco Daily News, a autora do estudo Livia Augustin, do Instituto Nacional do Câncer da Fundação Pascale em Nápoles, na Itália.

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*A repórter viajou para a reunião anual da Asco a convite da Johnson & Johnson Innovative Medicine no Brasil

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