Governo notifica Google e pede remoção de vídeos com falsos médicos de IA
Análise do Ministério da Saúde encontrou 97 perfis com tratamentos sem evidências científicas; informações colocam saúde em risco
Após uma análise do Ministério da Saúde de perfis que divulgavam promessas de cura e tratamentos sem comprovação científica com falsos médicos feitos com inteligência artificial, a Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o Youtube e pediu a remoção do conteúdo ou inclusão de alerta sobre os personagens fictícios. Os vídeos disseminam informações falsas podem colocar a saúde dos usuários da plataforma em risco.
A varredura no conteúdo disponível no YouTube foi realizada pelo programa Saúde com Ciência, do ministério, entre 1º de janeiro e 10 de julho deste ano.
No período, foram encontrados 97 perfis com avatares de supostos médicos com qualificações inexistentes, que utilizavam linguagem alarmista e ofereciam soluções sem respaldo médico para problemas de saúde.
A reportagem de VEJA solicitou um posicionamento do Google e aguarda resposta. O texto será atualizado quando houver manifestação da empresa.
“Parte dos perfis é direcionada especialmente à população idosa e, em alguns casos, utiliza a aparente autoridade dos personagens para promover produtos, e-books ou serviços pagos”, disse, em nota, o ministério.
Segundo a pasta, esses conteúdos podem prejudicar a saúde dos usuários. “Entre os riscos apontados estão a automedicação, o uso de terapias sem eficácia comprovada, o atraso na busca por atendimento profissional e a interrupção ou substituição de tratamentos.”
Prazo de 72 horas
A notificação à empresa, enviada na última sexta-feira e divulgada à imprensa nesta terça-feira, 8, foi elaborada pela Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD) e solicitou “a indisponibilização dos conteúdos especificamente identificados pelo Ministério da Saúde ou, conforme o caso, a adoção de medidas de rotulagem e contextualização que deixem clara a natureza artificial dos personagens” em um prazo de 72 horas.
Todas as informações do relatório do Saúde com Ciência foram compartilhadas com a Polícia Federal e o Conselho Federal de Medicina (CFM).
Comprovantes de vacinação falsificados
Outra notificação da AGU foi sobre a venda de comprovantes e passaportes vacinais falsificados na plataforma Telegram em 18 grupos e canais identificados pelo ministério.
“O aplicativo removeu os grupos e canais denunciados e também excluiu a conta de um usuário identificado na apuração. As evidências foram encaminhadas à Polícia Federal”, relatou a pasta sobre a medida tomada pela plataforma.
Além dos certificados falsificados, os grupos informavam que poderiam inserir os dados adulterados em sistemas oficiais do Sistema Único de Saúde (SUS).
“O enfrentamento à desinformação é parte da proteção da população e da promoção do acesso a informações confiáveis sobre prevenção, diagnóstico e tratamento. A orientação é que a população fique atenta, busque informações sobre saúde em fontes oficiais e confiáveis e denuncie conteúdos que possam colocar outras pessoas em risco.”
Xamãs de IA
Nas redes sociais, não só falsos médicos apresentam opções de tratamento para as doenças mais comuns na população em geral.
No mês passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre os “gurus” e “xamãs”, também feitos com inteligência artificial, que mostram receitas “milagrosas”.
A estratégia é a mesma: causar medo, apresentar informações incorretas e, no fim, vender um ebook com “soluções”.






