Mpox: após primeiro caso de nova cepa, Ministério da Saúde envia equipe para SP
Paciente infectada permanece em isolamento, mas lesões estão cicatrizadas e alta é prevista para esta semana; clado 1b leva a casos mais graves

Uma equipe do Ministério da Saúde foi enviada para a cidade de São Paulo após a confirmação do primeiro caso no Brasil da nova variante de mpox, zoonose viral que ficou conhecida como varíola dos macacos e monkeypox. A paciente, uma mulher de 29 anos que já se recuperou das lesões, permanece internada e em isolamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, mas deve ter alta nesta semana. O clado 1b é considerado mais perigoso que a cepa do surto inicial por levar a episódios mais graves e ser mais letal.
O grupo formado por quatro especialistas viajou para a capital paulista na última segunda-feira, 10, e vai atuar na investigação epidemiológica, além de definir estratégias para resposta ao episódio e oferecer apoio técnico-operacional à vigilância. Nesta terça-feira, 11, os especialistas se reuniram com profissionais da vigilância em saúde municipais, Secretaria de Estado da Saúde (SES) e do Emílio Ribas para abordar a assistência ao primeiro caso da nova cepa e também as medidas de monitoramento de possíveis contactantes.
“A vigilância e a rede de assistência do estado de São Paulo estão preparadas para o atendimento e monitoramento desses casos, além de reforçar a importância de procurar um serviço de atendimento diante dos primeiros sinais e sintomas da doença”, disse, em nota, a coordenadora em saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD) da SES, Regiane de Paula.
De acordo com o ministério, as tratativas com a secretaria estão sendo conduzidas pelo Departamento de HIV/AIDS, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi). “Visando a fortalecer as ações integradas e garantir uma resposta oportuna”, informou, em comunicado, Edenilo Barreira Filho, diretor do Departamento de Emergências em Saúde Pública (DEMSP).
A paciente foi infectada após contato com um familiar da República Democrática do Congo, onde o vírus está em circulação. Segundo o Ministério da Saúde, está evoluindo bem “com as lesões já cicatrizadas”.
A infecção foi confirmada por meio de exames de sequenciamento genético. “Até o momento, não foram identificados casos secundários, mas as equipes de vigilância municipal seguem monitorando possíveis contatos”, diz o ministério.
Mpox no Brasil
Em 2024, o Brasil registrou 2.052 casos da doença e nenhuma morte foi notificada nos últimos dois anos. Os casos são leves ou moderados, de acordo com a pasta. O balanço deste ano tem registros até o início de fevereiro, contabilizando 115 casos, de modo que o número já deve ser maior.
Isso fica claro a partir dos dados de São Paulo, onde foram confirmadas 121 infecções até esta terça-feira, 11.
Nova linhagem da mpox
A preocupação com o espraiamento do vírus é motivada pela nova linhagem, o clado Ib que está em surto principalmente na República Democrática do Congo. Isso porque ela causa quadros mais graves e é mais letal. Enquanto a cepa anterior, o clado II, matava 1% dos acometidos, a nova versão chega a 10%.
Diante dessa constatação e da rápida disseminação da cepa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou em agosto de 2024 o retorno da emergência global para a mpox.
A emergência global pela doença, que causa erupções na pele e pode matar, foi declarada pela primeira vez em 2022 e encerrada em maio de 2023, quando o surto foi contido e o vírus demonstrou que não estava levando a mudanças nos sintomas nem na gravidade dos casos.
A OMS alerta que esta não é uma doença que afeta grupos específicos e que qualquer pessoa pode contraí-la se tiver contato próximo com alguém infectado.
Entenda a mpox
Descoberta em 1958, a mpox chegou a ser chamada de varíola dos macacos por ter sido observada pela primeira vez em primatas utilizados em pesquisa. Ela circula principalmente entre roedores, e humanos podem se infectar com o consumo da carne, contato com animais mortos ou ferimentos causados por eles.
Entre os sintomas, febre, dor de cabeça, dores musculares, dores nas costas, linfonodos inchados, calafrios e exaustão. A erupção cutânea começa geralmente no rosto e, depois, se espalha para outras partes do corpo, principalmente as mãos e os pés. A doença é endêmica em países da África central e ocidental, como República Democrática do Congo e Nigéria.