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Nomofobia, tech neck e mais: entenda os perigos das novas ‘doenças’ digitais

De transtornos reconhecidos a sintomas observados no consultório, especialistas listam os efeitos do tempo excessivo em frente às telas

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 abr 2026, 13h00 | Atualizado em 13 abr 2026, 11h20
Nomofobia, tech neck e mais: entenda os perigos das novas ‘doenças’ digitais Priorizar nos meus resultados Google

O uso intenso de celulares, redes sociais e jogos digitais já deixou de ser apenas uma questão de comportamento para entrar no radar da saúde mental. Em um país onde o tempo online chega a cerca de nove horas por dia – um dos mais altos do mundo -, especialistas começam a identificar um conjunto de sintomas e padrões associados ao excesso de telas.

A psiquiatra Carmita Abdo, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), está entre os profissionais que passaram a observar mais de perto esses impactos. Após décadas estudando comportamento, ela voltou sua atenção para a forma como dispositivos digitais vêm moldando hábitos e relações.

A proposta da especialista foi reunir psiquiatras para promover um diálogo sobre o tema. Não se trata, portanto, de uma pesquisa científica propriamente dita, nem de condições validadas oficialmente, mas são percepções recorrentes na prática clínica. A exceção é a dependência de videogames e jogos eletrônicos, hoje reconhecida formalmente como um transtorno.

A seguir, entenda os principais fenômenos associados ao uso excessivo de telas e por que eles preocupam.

Dependência de jogos

Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e incluído na CID-11, o transtorno por jogos eletrônicos se caracteriza pela perda de controle sobre o tempo dedicado às partidas. A pessoa passa a priorizar o jogo em detrimento de trabalho, estudos e relações pessoais. Estima-se que cerca de 3% dos gamers se enquadrem nesse quadro. O tratamento envolve psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental, e, em alguns casos, medicação.

FOMO

A sigla vem do inglês fear of missing out – o medo de ficar por fora. Redes sociais, com atualizações constantes da vida alheia, funcionam como gatilho para comparações e sensação de inadequação. O resultado pode ser ansiedade persistente e dificuldade de se desconectar.

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JOMO

Na contramão, o joy of missing out descreve o prazer de não acompanhar tudo. Pessoas que reduzem o uso das redes relatam mais bem-estar e menos pressão social. O desafio, segundo especialistas, é substituir o tempo online por atividades que façam sentido fora das telas.

Nomofobia

A simples ideia de ficar sem o aparelho, seja por falta de bateria ou conexão, pode desencadear sintomas físicos, como taquicardia, sudorese e ansiedade intensa. Embora não seja um diagnóstico formal, o quadro se assemelha a outras fobias.

Selfitis

O impulso constante de tirar e publicar selfies tem sido estudado como um comportamento ligado à autoestima e à busca por validação. Em níveis mais intensos, pode indicar sofrimento psicológico.

Phubbing

A mistura de phone (telefone) e snubbing (esnobar) descreve uma cena cada vez mais comum: alguém fisicamente presente, mas completamente absorvido pelo celular. Sabe aquela pessoa que mal te olha enquanto você fala? Pois é… O hábito afeta relações interpessoais e a qualidade das interações.

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Dependência digital: um quadro mais amplo

Além dos jogos, o uso abusivo de tecnologia como um todo também pode se tornar compulsivo. Ainda sem reconhecimento formal, o padrão envolve prejuízos à rotina, ao sono e à saúde mental.

Síndrome do texto fantasma

Ser ignorado em conversas — o chamado ghosting — pode gerar angústia e insegurança. A ausência de resposta alimenta dúvidas e ansiedade, especialmente em contextos afetivos.

Cibercondria

Pesquisar sintomas na internet pode escalar rapidamente para um ciclo de preocupação excessiva. A pessoa passa a acreditar que tem doenças graves sem confirmação médica, o que aumenta a ansiedade.

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Fadiga de decisão digital

Notificações, mensagens e conteúdos disputam atenção o tempo todo. Esse excesso de estímulos leva a um cansaço mental que prejudica a capacidade de tomar decisões — até mesmo as mais simples.

Text neck (ou pescoço tecnológico)

Não é só a saúde mental que paga a conta do excesso de telas. O corpo também sente (e bastante). A rotina cada vez mais colada nas telas já foi associada ao avanço da miopia (com projeções de que metade da população mundial precise de óculos até 2050), ao sedentarismo – peça-chave na epidemia de obesidade – e a uma lista crescente de dores musculares e problemas posturais. A coluna, claro, entra nessa história.

A cena é familiar: cabeça baixa, ombros curvados para a frente e olhos grudados no celular. É desse combo que nasce o chamado text neck (ou tech neck), termo usado para descrever a sobrecarga no pescoço provocada por horas nessa posição.

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O problema é menos inocente do que parece. Com o corpo ereto, a cabeça pesa cerca de 5 quilos. Mas, à medida que se inclina para frente, essa carga aumenta muito sobre a região cervical. Repetido ao longo do dia, o movimento pressiona articulações, músculos e ligamentos, podendo irradiar dor para ombros, costas, punhos e até mãos.

Na prática, o celular deixa de ser só um hábito e passa a funcionar como gatilho para desconfortos persistentes – daqueles que vão se acumulando até virar dor crônica. E, não raro, atingem justamente quem mais usa o aparelho: os dedos que não saem da tela.

Além destes, há diversos outros problemas associados ao excesso de telas. Se quiser saber mais, basta acessar matéria recente publicada na revista VEJA.

 

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