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O preço de olhar para baixo: como o uso do celular está moldando dores e rugas

Da sobrecarga cervical ao envelhecimento precoce da pele, especialistas alertam para efeitos pouco percebidos do uso diário de telas

Por Victória Ribeiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 mar 2026, 12h00 | Atualizado em 31 mar 2026, 12h36
O preço de olhar para baixo: como o uso do celular está moldando dores e rugas Priorizar nos meus resultados Google

Se tem um hábito que se tornou praticamente automático nos últimos anos é o de manter a cabeça baixa, olhar fixo e o dedo rolando na tela. O problema é que, enquanto a rotina digital avança, a conta chega — e não é só para a saúde mental. Cada vez mais, pesquisas vêm mostrando que o uso exagerado de telas também está deixando marcas visíveis no corpo.

Ansiedade, dificuldade de concentração, isolamento social e problemas de visão já entraram no radar. Agora, especialistas acendem um alerta para outro alvo: o pescoço e, de quebra, a coluna e — pasmem — as ‘rugas’.

Não é exatamente uma novidade que a postura típica de quem usa o celular — curvado, com o aparelho na altura da barriga — não faz bem. Mas estudos recentes ajudam a dimensionar o problema. Quando a cabeça se inclina para frente, o peso que a coluna cervical precisa sustentar salta de cerca de 5 kg para até 27 kg. É como se o pescoço passasse a carregar um volume equivalente ao de uma criança, repetidas vezes ao longo do dia.

O resultado é uma sobrecarga na região cervical. Com o tempo, isso pode se traduzir em dores, desgaste das articulações, tensão muscular e até quadros mais complexos, como hérnias de disco. O desconforto também costuma se espalhar para os ombros, costas e até os braços entram na conta. Não por acaso, surgiu um termo específico para descrever esse conjunto de sintomas: ‘tech neck’ (ou pescoço tecnológico, em português).

As rugas

O mesmo hábito que tensiona músculos também pode acelerar o envelhecimento da pele. A posição inclinada favorece a formação de vincos, que vão se aprofundando com o tempo e podem contribuir para a flacidez e o aumento da papada.

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E há uma explicação biológica para isso. O pescoço é uma área particularmente delicada: a pele ali tem cerca de 2 milímetros de espessura — ou seja, metade da encontrada em regiões como as mãos. Além disso, conta com menos glândulas sebáceas, responsáveis por produzir a camada de proteção natural da pele. Em outras palavras, é uma região mais sensível ao desgaste.

Um estudo conduzido pela Universidade Chung-Ang, na Coreia do Sul, reforça esse alerta. A pesquisa observou que mulheres a partir dos 29 anos já apresentavam vincos no pescoço — um sinal que, tradicionalmente, surgiria apenas após os 40.

 

 

Prevenção

Vale lembrar que, se os americanos passam, em média, duas horas por dia no celular, os brasileiros conseguem se superar e quase dobram esse tempo, ficando atrás apenas da África do Sul no ranking global. É tempo suficiente — e até de sobra — para que os efeitos apareçam. “Uma hora diária com a postura errada já impacta no surgimento de rugas precoces”, afirmou o dermatologista Jardis Volpe, em entrevista à VEJA.

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Como de costume, a indústria da beleza não demorou a reagir. Cremes, séruns e dispositivos voltados especificamente para o pescoço começam a ganhar espaço, prometendo efeito lifting e suavização das marcas.

Mas, nesse caso, talvez a solução mais eficaz seja também a mais simples — e menos vendável, claro. Reduzir o tempo de exposição às telas é o primeiro passo. O segundo é ajustar a postura: em vez de inclinar a cabeça para baixo, o ideal é elevar o celular à altura dos olhos. Pode parecer estranho no início, mas faz diferença real na carga suportada pela coluna.

Para quem passa muitas horas conectado, alguns suportes e acessórios ajudam a manter o aparelho na linha do olhar. E, claro, se dores no pescoço, ombros ou braços começam a se tornar frequentes, vale procurar orientação médica.

 

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