O que está por trás da trend #cyclesyncing no TikTok
Nas redes sociais, cresce a proposta de alinhar o ciclo menstrual à prática de exercícios físicos; tema ainda é estudado em pesquisas
Alinhar a rotina de exercícios ao ciclo menstrual virou uma tendência nas redes sociais, principalmente no TikTok, onde a trend #cyclesyncing, a hashtag para “sincronização do ciclo”, já foi até alvo de estudo por seu poder de movimentar mais de 280 milhões de visualizações, principalmente entre jovens de 18 a 24 anos. A proposta é ter um cronograma mais leve nos dias de menor disposição e colocar os treinos intensos no período em que os hormônios impulsionam a energia.
As pesquisas científicas ainda investigam se isso faz sentido e não há um consenso ou diretriz para estabelecer que a prática de exercícios deve acompanhar as flutuações hormonais, mas, dentro do possível, estudos estão sendo feitos e começam a dar respostas que podem nortear algumas decisões.
A carência de grandes ensaios realizados até o momento vem do desafio que é padronizar as voluntárias e fazer a coleta de dados. Um ciclo pode ser diferente do outro em dias de sangramento e sintomas de desconforto não só na comparação entre as mulheres. Em uma mesma mulher, um mês não é igual ao outro. Então, o cenário é de análises em pequenos grupos, mas com resultados interessantes.
Pesquisas investigam impactos
O periódico científico British Journal of Sports Medicine apresentou uma revisão de pesquisas sobre os impactos da fase menstrual para o desempenho ao se exercitar. Em 43% delas, foram encontrados traços da ação dos hormônios.
O que foi debatido no artigo é que na ovulação, por exemplo, quando há pico de estrogênio, a performance em resistência aparece melhor em virtude da potencialização no uso de carboidratos pelo organismo, ou seja, a fonte de energia. Na fase lútea, a elevação da progesterona faz crescer a sensação de que há muito esforço sendo executado.
Essa sensação de que o esforço está mais elevado em algumas fases apareceu em uma pesquisa da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, que fez medições hormonais, mas não detectou alterações na capacidade de execução. No entanto, a percepção de esforço foi impactada.
“Na fase menstrual, a mulher tem uma baixa de estrogênio e progesterona, o que interfere de forma significativa na disposição e no humor”, diz o educador físico Diego Leite de Barros, fisiologista do exercício pela Unifesp. “No período de ovulação, tem o pico de estrogênio e mais energia e disposição”, completa.
O papel do TikTok
Este é um tema que ainda precisa ser explorado cientificamente, embora a observação de atletas, principalmente amadoras, bem como seus relatos corroborem com a ideia de que há variações no pique para exercícios ao longo do ciclo menstrual.
O mais importante é que cada mulher conheça o seu ciclo e o próprio corpo, que são possíveis contribuições da trend no TikTok, mas pratique atividades físicas de forma regular, com orientações profissionais e sem propostas baseadas em modismos.
Como apontou o estudo que investigou o fenômeno da hashtag, as recomendações nem sempre são baseadas em pesquisas. “Aproximadamente um terço dos criadores de conteúdo apresentou credenciais. No entanto, muito poucos mencionaram evidências científicas.”
A ideia é de desenhar um programa de exercícios baseado em obter saúde muscular, óssea e mental para o momento e para o futuro, longe de planos mirabolantes apresentados nas redes sociais.





