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O que muda com a nova diretriz brasileira de tratamento da obesidade

Documento atualiza recomendações de uso das canetas e outros medicamentos à luz dos estudos atuais, vai além do IMC e traz alertas

Por Diogo Sponchiato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 1 abr 2026, 10h10 | Atualizado em 1 abr 2026, 10h53
  • A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) acaba de publicar seu novo guia para lidar com um dos principais desafios de saúde pública da atualidade: o excesso de peso. Na Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade, especialistas reúnem e atualizam as indicações para o uso de medicamentos como Wegovy, Mounjaro e outras classes terapêuticas, assim como trazem orientações para o manejo adequado de um problema que afeta mais de 30% dos brasileiros hoje.

    O documento, baseado na literatura médica mais atual, consolida o papel dos medicamentos no tratamento do que se considera uma doença crônica e prevalente que já atinge 41 milhões de pessoas no país e, segundo o último atlas da Federação Mundial da Obesidade, cresce de forma acelerada na população mais jovem.

    Ao todo, os endocrinologistas, clínicos, nutricionistas e demais profissionais que assinam a publicação apresentam 32 orientações a fim de nortear o atendimento nos consultórios e centros de saúde. “A diretriz transforma o avanço científico, que propiciou um cenário terapêutico mais amplo, em orientação prática, oferecendo mais subsídio para a conduta clínica e mais segurança para o cuidado dos pacientes”, disse o endocrinologista Fábio Trujilho, presidente da Abeso.

    O que muda no controle da obesidade

    O documento estipula como um dos principais critérios para a prescrição de fármacos um índice de massa corporal (IMC) maior ou igual a 30 (o que define a obesidade) ou maior ou igual a 27 quando existem outros problemas de saúde ligados ao sobrepeso – o IMC é calculado dividindo o peso em kg pela altura em metro ao quadrado.

    No entanto, vai além do IMC e propõe que, diante do aumento da circunferência da cintura, também se considere o uso de medicações. Isso porque a gordura abdominal é particularmente nociva ao organismo. Daí a importância de médicos contarem com a fita métrica para averiguar as dimensões da barriga em consultório.

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    No geral, os experts preconizam que as metas de perda de peso se balizem por ao menos 10% de eliminação da massa corporal, considerando particularidades do paciente, riscos e benefícios. Pesquisas mostram que essa faixa de redução do peso é suficiente para trazer ganhos em termos de qualidade e expectativa de vida.

    Outra recomendação ressaltada pela publicação é a de que o tratamento com remédios nunca seja utilizado de forma isolada, mas associado  a mudanças de hábito, como reeducação alimentar e prática de exercícios físicos. O trabalho da Abeso ainda cataloga indicações mais específicas para pacientes com diabetes, doença cardiovascular e gordura no fígado, entre outras condições geralmente relacionadas ao peso.

    Entre os alertas que constam na diretriz, destacam-se a contraindicação de drogas sem segurança e eficácia demonstradas por estudos clínicos e a cautela com o chamado uso off-label, quando se prescreve algo sem a chancela da bula.

    Por fim, a Abeso defende cuidados com produtos manipulados para fins de emagrecimento, que, sem o controle de qualidade e embasamento em pesquisas, podem oferecer riscos aos pacientes. O alerta envolve hormônios como testosterona, formulações com diuréticos e princípios ativos que nem sequer foram aprovados pelos órgãos regulatórios (caso da retatrutida).

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