🔥 Mês do Cliente: Receba 4 Revistas Impressas por apenas R$ 35,90/mês. Aproveite!

O vírus letal que embarcou em um cruzeiro: os sintomas, a letalidade e o risco epidêmico do hantavírus

Há motivo para alerta, não para pânico, explica infectologista em artigo sobre o hantavírus para VEJA

Por Eduardo Toffoli Pandini* 5 Maio 2026, 14h13 | Atualizado em 6 Maio 2026, 11h31
O vírus letal que embarcou em um cruzeiro: os sintomas, a letalidade e o risco epidêmico do hantavírus Priorizar nos meus resultados Google

A confirmação de dois casos de hantavírus pela Organização Mundial da Saúde (OMS) entre pessoas a bordo ou que recentemente desembarcaram de um cruzeiro ancorado em Cabo Verde acende um sinal de alerta, mas não deve ser motivo para pânico.

Até o momento, são sete casos identificados, sendo dois confirmados em laboratório e cinco suspeitos, com três mortes registradas. Os dados mais recentes indicam que um paciente está em estado crítico, enquanto outros três apresentam sintomas leves.

Um aspecto especialmente relevante dessa situação é que ainda não se conhece a origem exata do surto. No entanto, tudo indica que o primeiro indivíduo a adoecer já embarcou no navio infectado. Segundo a OMS, essa pessoa subiu a bordo no dia 1º de abril, apresentou sintomas em 6 de abril e faleceu em 11 de abril.

Esse detalhe é crucial para entender que, como tudo leva a crer, não se trata de um surto iniciado dentro do navio, mas possivelmente amplificado por um ambiente confinado.

Os hantavírus formam uma família de vírus presente em várias partes do mundo e conhecida por causar infecções graves em humanos. Descobertos após um surto entre soldados durante a Guerra da Coreia, em 1951, eles são geralmente transmitidos por urina, saliva e fezes de roedores.

Continua após a publicidade

Em circunstâncias específicas, contudo, como em situações de contato próximo e prolongado. a exemplo de um cruzeiro marítimo, pode ocorrer transmissão entre pessoas. Um dos candidatos a agente desse surto é o Andesvírus, que circula na Argentina e é um dos poucos hantavírus capazes de se espalhar ocasionalmente entre humanos.

A doença costuma se manifestar entre uma e oito semanas após o contato inicial. Os primeiros sintomas são inespecíficos: febre, dor de cabeça, dores no corpo, náuseas, vômitos e dor abdominal.

Em casos mais graves, especialmente associados ao Andesvírus, pode haver insuficiência respiratória, tosse, falta de ar e acúmulo de líquido nos pulmões devido a um intenso processo inflamatório. Outras variantes podem causar sangramentos pulmonares, queda da pressão arterial e insuficiência renal.

Continua após a publicidade

A taxa de mortalidade é elevada e pode chegar a 50%.

Diante desse cenário, é natural o receio de que o vírus se espalhe. No entanto, de acordo com o que se conhece até hoje sobre os hantavírus, a chance de ocorrer uma transmissão sustentada de pessoa para pessoa é muito baixa. Ou seja, não se trata de um vírus com potencial epidêmico amplo.

A principal preocupação, portanto, permanece restrita aos passageiros e tripulantes do navio, justamente por se tratar de um ambiente fechado, onde o contato próximo pode facilitar transmissões pontuais.

Continua após a publicidade

Por essa razão, o risco de uma nova pandemia é considerado improvável. Os casos estão limitados a um ambiente isolado e passível de controle. Os passageiros com sintomas estão sendo ou serão encaminhados a hospitais com leitos de isolamento, reduzindo ainda mais qualquer possibilidade de disseminação para a população geral.

Além disso, os demais ocupantes do navio foram orientados a manter isolamento entre si e a garantir boa ventilação dos ambientes internos.

Os próximos passos devem ser observados com atenção, mas sem alarmismo. Será fundamental acompanhar se surgirão novos casos entre passageiros e tripulantes e, principalmente, se haverá qualquer evidência de transmissão sustentada entre pessoas, algo inédito e que, aí sim, justificaria maior preocupação.

Continua após a publicidade

Até o momento, a OMS não recomenda restrições a viagens internacionais, seja à Argentina ou a qualquer outro país.

Em situações como essa, informação de qualidade, vigilância epidemiológica e respostas proporcionais ao risco real são as melhores ferramentas para evitar tanto a disseminação do vírus quanto a do medo.

* Eduardo Toffoli Pandini é infectologista e autor do livro De Miasmas a Vacinas — Uma História das Doenças Infecciosas

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em verde-limão O MÊS É DO CLIENTE. e em branco A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua.. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos, e ao lado, uma árvore estilizada em verde-limãoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo manchetes e produtos, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).