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Poluição do ar pode aumentar o risco de crises de artrite reumatoide, indica estudo

Pesquisa acompanhou mais de mil pacientes durante quatro anos e constatou que exposição prolongada a poluente esteve associada a mais crises da doença

Por Camila Mazzotto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 ago 2026, 08h00 | Atualizado em 6 ago 2026, 10h26
Poluição do ar pode aumentar o risco de crises de artrite reumatoide, indica estudo Priorizar nos meus resultados Google

A poluição do ar já é conhecida por aumentar o risco de doenças cardiovasculares e respiratórias. Agora, um novo estudo sugere que ela também pode interferir no controle da artrite reumatoide, doença autoimune que provoca dor, inchaço e rigidez nas articulações.

Na pesquisa, publicada na quarta-feira, 5, na revista científica Annals of the Rheumatic Diseases, pacientes expostos a níveis mais elevados de partículas finas em suspensão no ar apresentaram maior atividade da doença e mais episódios de piora dos sintomas.

A análise acompanhou 1.070 pacientes com artrite reumatoide atendidos em um hospital universitário da Coreia do Sul entre 2021 e 2024.

Ao todo, foram analisadas 12.583 consultas médicas, comparando a evolução clínica dos participantes com os níveis de poluição registrados na região onde viviam.

Os pesquisadores avaliaram seis poluentes atmosféricos: dióxido de enxofre (SO₂), dióxido de nitrogênio (NO₂), ozônio (O₃), monóxido de carbono (CO), partículas inaláveis (PM10) e partículas finas (PM2,5).

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Entre todos eles, o PM2,5 foi o único que apresentou associação consistente com pior evolução da doença.

O PM2,5 corresponde a partículas com diâmetro inferior a 2,5 micrômetros, cerca de 30 vezes menores que a espessura de um fio de cabelo.

Segundo o estudo, por serem extremamente pequenas, elas conseguem penetrar os pulmões e até alcançar a corrente sanguínea, desencadeando processos inflamatórios em diferentes órgãos.

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Mais crises da doença

O principal objetivo do estudo foi verificar se a poluição aumentava o risco de “crises” da artrite reumatoide, períodos em que a inflamação se intensifica, o que agrava os sintomas.

Durante os quatro anos de acompanhamento, foram registrados 1.278 episódios de exacerbação entre 604 pacientes.

Após considerar fatores como idade, sexo, tabagismo, medicamentos utilizados, condições socioeconômicas, temperatura e umidade, os pesquisadores observaram que níveis mais elevados de PM2,5 estavam associados a um aumento de aproximadamente 11% na chance de uma exacerbação da doença.

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O aumento individual do risco é considerado modesto, mas os autores destacam que a exposição à poluição é frequente e afeta grandes populações, o que pode gerar um impacto importante em saúde pública.

Além de aumentar a ocorrência de crises, a exposição ao PM2,5 também esteve relacionada a sinais de doença mais ativa.

Os pacientes apresentaram piores resultados em diferentes indicadores clínicos utilizados pelos reumatologistas para avaliar a artrite reumatoide, incluindo:

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  • aumento do DAS28-CRP, um dos principais índices de atividade da doença;
  • aumento do CDAI, outro escore utilizado para medir a gravidade da artrite;
  • maior número de articulações dolorosas;
  • maior número de articulações inchadas.

Um dos achados mais interessantes do estudo veio de uma análise complementar, que investigou o efeito da exposição diária aos poluentes antes das consultas médicas.

Os pesquisadores verificaram que picos isolados de poluição não pareciam aumentar imediatamente o risco de piora da artrite. O problema surgiu quando a exposição ao PM2,5 se manteve elevada por períodos mais prolongados, especialmenteapós cerca de duas semanas de exposição contínua.

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Como a poluição pode agravar a artrite?

Segundo os autores, ao serem inaladas, as partículas de PM2,5 podem desencadear estresse oxidativo e estimular a produção de substâncias inflamatórias.

E, como essas partículas conseguem atingir a circulação sanguínea, elas poderiam amplificar a inflamação sistêmica e favorecer a piora das articulações.

O estudo, porém, não prova que a poluição causa piora da doença. Por se tratar de um estudo observacional, os resultados mostram uma associação, mas não permitem concluir que a poluição seja a causa direta das crises.

Os próprios pesquisadores apontam limitações importantes. A exposição foi estimada com base na região onde os pacientes moravam, sem medir a poluição individual à qual cada pessoa esteve realmente exposta.

Além disso, fatores como tempo passado ao ar livre, uso de máscaras, purificadores de ar ou mudanças de endereço não puderam ser considerados.

Ainda assim, por acompanhar mais de mil pacientes durante quatro anos e utilizar análises estatísticas capazes de controlar diversos fatores de confusão, o estudo reforça a hipótese de que a qualidade do ar pode influenciar o controle da artrite reumatoide.

Para os autores, os achados têm implicações práticas. Além do tratamento medicamentoso, reduzir a exposição à poluição pode ser uma estratégia adicional para ajudar no controle da doença, embora estudos futuros ainda sejam necessários para confirmar se essa medida efetivamente reduz o número de crises.

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