🔥 Mês do Cliente: Receba 4 Revistas Impressas por apenas R$ 35,90/mês. Aproveite!

Quando o futebol rompe o silêncio sobre uma questão de saúde, o traço falciforme

Especialista em saúde da população negra, Daniela Tafner explica importância de ampliar conhecimento sobre condição do jogador Allan, do Corinthians

Por Daniela Tafner* 27 Maio 2026, 10h00
Quando o futebol rompe o silêncio sobre uma questão de saúde, o traço falciforme Priorizar nos meus resultados Google

Nas últimas semanas, o nome do jogador Allan, volante do Corinthians, ganhou os noticiários não por sua atuação em campo, mas por algo que corre silenciosamente em seu sangue: o traço falciforme, condição que motivou seu afastamento de uma partida pela Libertadores na Colômbia.

O tema ocupou manchetes e virou assunto, mas muitas vezes cercado de dúvidas e desinformação. Também vieram à tona as medidas protetivas adotadas pelo clube – corretas, necessárias e responsáveis – para preservar a saúde do atleta diante da altitude, um fator capaz de desencadear alterações importantes em pessoas com traço falciforme.

Mas o que mais inquieta não é o episódio em si, e sim o silêncio que o antecede. Enquanto o país do futebol descobre com surpresa o traço falciforme, milhares de pessoas, em sua maioria negras, convivem há décadas com a condição, enfrentando limitações e um cotidiano marcado pela negligência e pela invisibilidade.

Estima-se que entre 60 e 100 mil brasileiros vivam com esta que é uma das alterações genéticas hereditárias mais comuns do país. O traço falciforme faz com que a hemoglobina assuma um formato semelhante ao de uma foice. É herdado nos genes, como já foi dito, e geralmente não apresenta sintomas.

Continua após a publicidade

Já a doença falciforme ocorre quando essa alteração compromete a circulação adequada do oxigênio no corpo, levando à instalação da anemia e a outras complicações, como crises dolorosas e impactos profundos na qualidade de vida.

Não se trata de algo raro. Trata-se de uma realidade historicamente ignorada ou talvez escolhida para não ser vista. O caso do jogador do Corinthians poderia ter sido também uma oportunidade para ampliar o debate sobre o racismo que atravessa o cuidado em saúde. Porque, por trás do diagnóstico do traço falciforme, existe não apenas uma condição genética, mas uma história de negligência estrutural.

Continua após a publicidade

Historicamente associada às populações africanas, com a miscigenação o traço falciforme deixou há muito tempo de atingir apenas um grupo racial.

Ainda assim, pessoas diagnosticadas seguem ouvindo frases como: “Mas você não é negra para ter essa doença”. Acompanho de perto a realidade de uma adolescente que enfrenta diariamente as fragilidades e ausências que ainda cercam o reconhecimento, o diagnóstico e o cuidado das pessoas com essa herança genética.

Continua após a publicidade

Mas talvez o maior problema não esteja apenas na forma das células. E sim na forma como a sociedade escolhe enxergar – ou ignorar – quem
convive com essa condição.

*Daniela Tafner é doutora em enfermagem, especialista em saúde da população negra e professora no curso de medicina na Universidade Regional de Blumenal (Furb) e no Alari (Instituto de Pesquisa Afro-Latino-Americano) da Universidade de Harvard

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em verde-limão O MÊS É DO CLIENTE. e em branco A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua.. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos, e ao lado, uma árvore estilizada em verde-limãoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo manchetes e produtos, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).