Sarampo: Estados Unidos registram primeiras mortes de 2026
Pensilvânia notificou óbitos de duas pessoas não vacinadas; até 24 de agosto, país somava 2.777 casos confirmados da doença
Em meio ao maior surto de sarampo das Américas das últimas duas décadas, os Estados Unidos registraram nesta terça-feira, 25, as primeiras mortes pela doença de 2026. A informação foi confirmada pelo Departamento de Saúde da Pensilvânia, que afirmou que os óbitos pelo vírus são os primeiros registrados no estado em 35 anos.
A identidade, sexo e idade das vítimas não foram revelados, mas o departamento disse que as pessoas não eram vacinadas contra a doença.
“Como o sarampo foi praticamente eliminado da Pensilvânia por mais de três décadas, as pessoas não estão familiarizadas com essa doença e não compreendem totalmente a potencial gravidade da enfermidade”, disse, em comunicado, a secretária de Saúde Debra Bogen.
As mortes ocorrem em um momento em que os Estados Unidos enfrentam dois problemas. De um lado, o aumento de casos da infecção viral. Do outro, a ordem recém-assinada pelo presidente Donald Trump que reduz o número de vacinas obrigatórias para crianças no país e que determina que a tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) seja aplicada em doses separadas.
Isso significa utilizar uma dose para prevenir cada uma das doenças separadamente, uma medida que demanda alterações em um imunizante comprovadamente eficaz contra a doença e que diminuiria coberturas vacinais.
Ainda no comunicado, Bogen defendeu a vacinação contra o sarampo. “Como médica, quero garantir que as pessoas entendam que a vacina tríplice viral é segura e oferece a melhor proteção que temos contra o sarampo.”
De acordo com balanço da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) até 24 de agosto, os Estados Unidos somavam 2.777 casos confirmados de sarampo.
Nas Américas, eram 51.027 episódios e 55 óbitos antes das mortes contabilizadas pela Pensilvânia.
Riscos do sarampo
Doença altamente contagiosa, o sarampo é causado por vírus e tem como principal manifestação o aparecimento de manchas vermelhas no corpo. Outros sintomas são febre alta, tosse seca, irritação nos olhos, mal-estar intenso e nariz entupido ou escorrendo. Pneumonia, encefalite (inflamação no cérebro) e a morte são os desfechos mais graves da infecção.
A circulação do vírus propicia o aparecimento de surtos entre pessoas não vacinadas, de modo que um indivíduo infectado é capaz de transmitir a doença para até 18 pessoas, de acordo com a Opas.
No Brasil, a vacina contra o sarampo é ofertada gratuitamente no SUS. Atualmente, está sendo aplicada na população de 6 meses a 59 anos nas cidades de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo em uma ação para sufocar a circulação do vírus nessas localidades.
Veja o esquema vacinal
Crianças de 6 a 11 meses:
- Dose zero: indicada em situações de risco aumentado de exposição ao vírus, não substitui as doses do calendário de rotina
Crianças a partir de 12 meses
- Primeira dose (D1) aos 12 meses, com a tríplice viral. Segunda dose (D2) aos 15 meses, com a vacina tetraviral (ou tríplice viral + varicela)
Pessoas de 5 a 29 anos
- Devem iniciar ou completar o esquema de duas doses da tríplice viral, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas
Pessoas de 30 a 59 anos
- Devem receber uma dose da tríplice viral caso não haja comprovação de vacinação anterior







