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Seus níveis de vitamina D podem mudar a resposta ao Ozempic

Novo estudo associa taxas mais altas da vitamina no corpo a melhores resultados com a semaglutida

Por Carlos Eduardo Barra Couri Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 set 2026, 07h00 | Atualizado em 10 set 2026, 14h15
Seus níveis de vitamina D podem mudar a resposta ao Ozempic Priorize VEJA no Google

Uma pergunta tem ganhado espaço nos consultórios à medida que as chamadas canetas — como a semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy — se tornam parte da rotina no tratamento do diabetes e da obesidade: por que algumas pessoas respondem tão bem ao medicamento, enquanto outras, usando exatamente a mesma substância, emagrecem menos ou veem a glicose melhorar de forma mais tímida?

A resposta não cabe em uma única frase. Genética, alimentação, atividade física, dose, adesão ao tratamento, tempo de doença e uma infinidade de características individuais entram nessa conta.

Agora, um estudo apresentado no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) e publicado na revista científica Frontiers in Nutrition acrescenta um personagem inesperado no enredo: a vitamina D.

Pesquisadores de Israel analisaram 5. 384 pessoas com diabetes tipo 2 que começaram a usar semaglutida e que tinham, antes de iniciar o remédio, a dosagem da 25-hidroxivitamina D — a forma como medimos a vitamina D no sangue.

Os participantes foram divididos em três grupos: os com níveis muito baixos (abaixo de 15 ng/mL), os intermediários (entre 15 e 25) e os mais adequados (acima de 25 ng/mL). E surgiu um achado curioso: quanto maior a vitamina D no ponto de partida, melhor foi, em média, a resposta à semaglutida — sobretudo na perda de peso.

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Efeito na balança

Depois de ajustar os dados para as diferenças entre os pacientes, quem tinha vitamina D acima de 25 ng/mL apresentou uma queda adicional de 1,29 ponto no índice de massa corporal (IMC) em relação a quem estava abaixo de 15. Para uma pessoa de 1,70 metro, isso equivale, na matemática, a cerca de 3,7 quilos.

Parece muito? Guarde essa conta — voltaremos a ela. No controle do diabetes, a diferença também apareceu, mas foi bem menor: cerca de 0,1 ponto percentual na hemoglobina glicada, o exame que funciona como uma memória da glicose dos últimos meses. Estatisticamente real, clinicamente modesta. Já no colesterol, nada: a vitamina D não fez diferença.

Então basta tomar vitamina D com o Ozempic?

Não. E essa talvez seja a informação mais importante. O estudo não sorteou um grupo para receber vitamina D e outro para receber placebo ou outra substância. Os pesquisadores apenas olharam para trás e observaram o que aconteceu com pessoas que já tinham, por diferentes razões, níveis distintos da vitamina. E aqui mora uma armadilha antiga da medicina.

Os grupos já eram diferentes antes da primeira dose. Quem tinha mais vitamina D também era mais velho e começava o estudo com menor peso, melhor controle do diabetes e colesterol mais baixo. Ferramentas estatísticas tentaram corrigir isso, mas nenhuma conta transforma um estudo observacional em um experimento de verdade.

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Fora que fatores decisivos — dieta, exercício, exposição ao sol, dose do medicamento e até o uso de suplementos — não foram adequadamente avaliados.

Ou seja: pessoas com mais vitamina D no corpo podem simplesmente levar uma vida metabolicamente mais saudável. Nesse caso, a vitamina seria menos a causa do bom resultado e mais um retrato de quem já se cuidava melhor. É a clássica diferença entre caminhar de mãos dadas e empurrar. Entre associação e causa.

Mas qual a relação entre a vitamina e a caneta?

Aí que está: existe uma relação entre uma coisa e outra, o que torna o achado do estudo mais interessante.

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A vitamina D não cuida apenas dos ossos. Há receptores para ela espalhados pelo corpo, e pesquisas anteriores sugerem ligações com a secreção e a sensibilidade à insulina e com processos inflamatórios.

Isso cria uma hipótese plausível. Mas plausível não é o mesmo que comprovado — e a literatura sobre suplementar vitamina D para emagrecer segue dividida, com bons estudos que não encontraram benefício claro.

É por isso que o próximo passo precisa ser o seguinte: reunir pessoas com deficiência de vitamina D que vão iniciar a semaglutida, sortear parte delas para receber a vitamina e parte para receber placebo, e acompanhar os resultados. Só assim saberemos se corrigir a vitamina realmente muda o jogo.

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O que fazer hoje?

Em resumo, o novo estudo traz uma pista, não uma prescrição. Quem tem deficiência de vitamina D deve conversar com o médico e tratá-la quando houver indicação — isso vale independentemente de uso de caneta.

O que ainda não podemos dizer é que elevar a vitamina no sangue fará a semaglutida funcionar melhor.

Ainda assim, mesmo sem poder bater o martelo na relação de causa e efeito da suplementação de vitamina D no peso e na glicose, corrigir os níveis da substância já traria outros benefícios. Será que faz algum sentido deixá-los lá embaixo?

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