Receba 4 Revistas em casa por 32,90/mês

Temperaturas extremas e poluição elevam risco de danos ao coração, aponta novo estudo

Pesquisa indica aumento de eventos cardiovasculares durante picos de temperatura e reforça papel da poluição como fator agravante

Por Victória Ribeiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 abr 2026, 10h32 | Atualizado em 24 abr 2026, 11h15
Continua após a publicidade

Ondas de calor e de frio estão deixando de ser apenas um incômodo climático — e passam a ser apontadas também como gatilho para problemas no coração. Um estudo apresentado no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, na Eslovênia, mostra que esses extremos de temperatura, fortemente associados às mudanças climáticas, aumentam a ocorrência de eventos cardiovasculares — e a poluição do ar atua como um “acelerador” desse risco.

Continua após a publicidade

A análise reuniu dados de mais de oito milhões de pessoas no leste da Polônia, entre 2011 e 2020. A proposta era entender se, nos dias de temperaturas mais extremas, os eventos cardiovasculares também subiam. Para isso, os pesquisadores cruzaram registros de hospitalizações e mortes com dados ambientais.

No período analisado, foram mais de 573 mil eventos desse tipo e 377 mil mortes cardiovasculares. E o padrão mostra que tanto o calor extremo quanto o frio intenso elevam o risco, mas cada um à sua maneira.

No caso do calor, a ação é mais rápida. No mesmo dia da exposição, os eventos cardiovasculares aumentaram 7,5% e as mortes, 9,5%. Já o frio tem um efeito mais lento e gradual: o risco vai subindo nos dias seguintes, chegando a aumentos de até 5,9% nos eventos e 6,9% na mortalidade cardiovascular.

Trabalhos anteriores já vinham mostrando essa associação. Uma revisão com base em centenas de estudos indica que, a cada 1°C a mais, a taxa de mortalidade por razões cardiovasculares cresce 2,1%. Durante ondas de calor que duram vários dias sem trégua, o índice chega a 12%.

Continua após a publicidade

O próprio cenário brasileiro pode ser exemplo disso. Vale lembrar que nos sete primeiros meses de 2023, quando a média de temperaturas foi mais alta do que no ano anterior, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) registrou acréscimo de 102,5% nos atendimentos ambulatoriais e internações por diagnósticos relativos ao calor na comparação com 2022.

Poluição entra no jogo

O estudo também mostra que não dá para olhar só para o termômetro. A poluição do ar pesa.

Substâncias como ozônio (O₃) e benzo[a]pireno (um composto gerado na queima de carvão, madeira, tabaco e presente na fumaça de cigarro) intensificaram os efeitos das ondas de calor. Já o material particulado fino (PM2,5) e o dióxido de nitrogênio (NO₂) potencializaram os impactos do frio.

Em uma segunda análise, focada só na poluição, os resultados mostram que cerca de 13% das mortes cardiovasculares no período foram atribuídas à má qualidade do ar — o equivalente a mais de 71 mil anos de vida perdidos.

Outro ponto que chama atenção é quem sofre mais. Mulheres e pessoas acima de 65 anos apareceram como mais vulneráveis. A cada aumento mensal na exposição à poluição, o risco de eventos subia até 10%, com impacto proporcionalmente maior nesses grupos.

Continua após a publicidade

Hoje, o papel da poluição como fator de risco cardiovascular já é reconhecido por entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a American Heart Association. As entidades destacam que a exposição, mesmo de curto prazo, pode aumentar o risco de infarto, AVC, arritmias e insuficiência cardíaca. No longo prazo, entra no processo de doenças como aterosclerose, hipertensão e até diabetes.

E agora?

Para os autores, os resultados reforçam algo que já vem sendo apontado por uma série de estudos: clima e poluição não são só uma questão ambiental, mas também de saúde.

A saída, na opinião deles, passa por estratégias coordenadas, como necessidade de estratégias coordenadas que integrem mitigação das mudanças climáticas, controle da poluição e monitoramento de populações mais vulneráveis.

O próximo passo da pesquisa, aliás, vai além da temperatura e do ar. A ideia é incorporar o chamado “exposoma” — que inclui fatores como poluição sonora e luminosa — em modelos de previsão de risco cardiovascular. Na prática, isso pode ajudar a identificar melhor quem está mais exposto e orientar ações preventivas de forma mais precisa.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 29% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 39,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).