🔥 Mês do Cliente: Receba 4 Revistas Impressas por apenas R$ 35,90/mês. Aproveite!

Vacina da dengue à prova: o que mostra o maior estudo brasileiro

Pesquisa nacional demonstra proteção alta e duradoura da vacina do laboratório Takeda contra casos de dengue grave

Por Carlos Eduardo Barra Couri Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 set 2026, 13h00 | Atualizado em 2 set 2026, 14h12
Vacina da dengue à prova: o que mostra o maior estudo brasileiro Priorizar nos meus resultados Google

Durante décadas, a estratégia brasileira contra a dengue foi essencialmente a mesma: caçar o mosquito. Mutirões, fumacê, campanhas contra a água parada. Fizemos tudo isso — e, ainda assim, em 2024 o país viveu a pior epidemia de dengue de sua história, com mais de 6 mil mortes.

Nos últimos 25 anos, foram quase 18 milhões de casos e cerca de 17 mil vidas perdidas. A lição foi dura: combater apenas o Aedes aegypti não bastou, pelo menos entre nós aqui no Brasil. Faltava uma arma que protegesse diretamente as pessoas. Agora temos dados brasileiros robustos mostrando que essa arma existe — e funciona.

Um estudo conduzido em São Paulo, publicado na eClinicalMedicine, revista científica do grupo The Lancet, avaliou a efetividade da vacina Qdenga, do laboratório Takeda — durante os surtos de 2024 e 2025. Não é um experimento de laboratório: é o mundo real, no meio de uma epidemia, com mais de 166 mil testes analisados em adolescentes de 10 a 15 anos.

É, até hoje, o maior acompanhamento de longo prazo já feito com essa vacina no planeta. E é brasileiro.

Continua após a publicidade

Aqui é preciso desfazer uma confusão que ainda ronda consultórios e conversas de família. A vacina avaliada é a Qdenga, da farmac6eutica japonesa Takeda — não é a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan.

São imunizantes diferentes. A do Butantan teve a aplicação suspensa temporariamente pelo Ministério da Saúde em junho de 2026, uma medida cautelar, de excesso de zelo, para investigar eventos raros — incluindo dois óbitos cuja relação com a vacina ainda não foi comprovada.

Já a Qdenga segue disponível e recomendada: está aprovada pela Anvisa desde março de 2023 e vinha sendo usada no mundo desde 2022, quando recebeu as primeiras aprovações na Indonésia e na União Europeia. Muitos médicos e muitos pacientes ainda trocam uma pela outra — e essa confusão não pode virar desculpa para deixar de se proteger.

Continua após a publicidade

Os números impressionam pela consistência. Contra a dengue sintomática, a Qdenga reduziu o risco de adoecer em 59% com uma dose e 73% com duas. Contra a forma mais temida — a que leva à internação —, a proteção chegou a 75% com uma dose e quase 88% com o esquema completo.

E há um detalhe que entusiasma os pesquisadores: a proteção de uma única dose se manteve estável ao longo de um ano inteiro, sem sinais de enfraquecimento. Ainda assim, o esquema recomendado continua sendo o de duas doses, que oferece a defesa mais completa contra os quadros graves.

Continua após a publicidade

Cabe um cuidado científico: o estudo não comparou, lado a lado, vacina e combate ao mosquito. Mas a leitura da história é eloquente. Enquanto o controle ambiental, sozinho, não nos poupou de epidemias recordes, uma vacina entregou proteção alta e mensurável em condições reais. As duas estratégias não competem — se somam. Só que agora, finalmente, temos uma medida que protege o indivíduo, e não apenas o ambiente ao redor dele.

E quem pode se vacinar? No Brasil, a Qdenga está aprovada pela Anvisa para pessoas de 4 a 60 anos. No SUS, por limitação de doses, a campanha do Programa Nacional de Imunizações prioriza crianças e adolescentes de 10 a 14 anos nas cidades de maior transmissão — justamente a faixa que este estudo mostrou proteger tão bem. São duas doses, com intervalo de três meses. Se seu filho está nessa idade e a vacina está disponível na sua cidade, a resposta é simples: vacine.

Continua após a publicidade

É nesse ponto que nós, médicos, precisamos fazer nossa parte com mais firmeza. Vacinar não é um detalhe da saúde — é um dos pilares da promoção de saúde. Uma vacina que evita internações e mortes por uma doença que ainda mata milhares de brasileiros por ano não é opcional; é parte do cuidado.

Cabe ao médico ser mais persuasivo, explicar com clareza e traduzir a evidência em confiança. E cabe à sociedade civil se informar, perguntar, entender e até discutir ativamente esse assunto seu médico. Profissional de paciente precisam caminhar na mesma direção — porque nenhuma vacina protege dentro da geladeira do posto.

Continua após a publicidade

A dengue nos ensinou humildade. Por anos, apostamos que venceríamos o mosquito na base da vassoura e do inseticida. A ciência brasileira acaba de mostrar um caminho complementar e poderoso: proteger as pessoas, uma dose de cada vez. O mosquito continuará por aí. A diferença é que, agora, ele encontrará um país mais bem defendido — se aceitarmos a defesa que já está ao nosso alcance.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em verde-limão O MÊS É DO CLIENTE. e em branco A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua.. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos, e ao lado, uma árvore estilizada em verde-limãoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo manchetes e produtos, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).