Acidente aéreo: “Explosão de motor é causa raríssima”, diz especialista
Centro de Prevenção de Acidentes investiga o que aocnteceru com o avião que decolou de São Paulo para Atlanta
O acidente ocorrido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, no último domingo, 29, foi provocado por uma falha técnica raríssima, segundo especialistas. O motor esquerdo de um Airbus A-330, da Delta Air Lines, com destino a Atlanta, nos Estados Unidos, explodiu poucos minutos após a decolagem. Dentro da aeronave, relatos de silêncio tenso, gritos e medo real de morrer. Do lado de fora, moradores relataram ter ouvido um estrondo que chegou a tremer casas e viram o avião em chamas cruzando o céu. O incidente provocou a queda de fragmentos chamuscados na área ao lado da pista, o que deu início a um incêndio rapidamente controlado pelo serviço de resgate e combate às chamas do aeroporto.
Mesmo diante do caos, com apenas 50% da potência, o piloto retornou ao aeroporto de origem, onde realizou um pouso de emergência em segurança. O caso é investigado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Força Aérea Brasileira responsável por apurar acidentes e incidentes aeronáuticos no país, tanto civis quanto militares. “O desfecho mostra o quanto a aviação é uma modalidade de transporte segura”, afirma o consultor Gian Franco Beting, que espera o laudo técnico do Cenipa para entender como a turbina pegou fogo. “A explosão de um motor, no momento em que o avião pede maior potência, é algo raríssimo de acontecer.” O especialista explica que há ocorrências mais comuns, como o superaquecimento durante o voo, facilmente identificado pelos pilotos, o que leva ao desligamento preventivo do equipamento justamente para evitar danos maiores.
Até a década de 1970, aeronaves comerciais podiam operar com três ou até quatro motores. Com o avanço da engenharia e o aumento da confiabilidade dos propulsores, os fabricantes passaram a adotar majoritariamente modelos com dois motores. Esse movimento ganhou força com a introdução dos aviões de fuselagem larga e motores com cerca de 50 mil libras de empuxo, que se mostraram mais eficientes e seguros do que os modelos anteriores. Um marco dessa transição foi o Airbus A300, pioneiro entre os jatos de grande porte bimotores.
O episódio também evidencia o nível de preparo das tripulações para lidar com situações críticas — cenários que passageiros esperam nunca vivenciar. Companhias aéreas investem milhões de dólares anualmente na formação e reciclagem de pilotos, com treinamentos frequentes em simuladores capazes de reproduzir falhas graves, como incêndios em motores durante a decolagem. A Delta é uma das maiores companhias aéreas dos Estados Unidos.
No caso deste domingo, o desfecho reforça essa lógica: o piloto manteve a calma, seguiu os procedimentos e conseguiu pousar a aeronave — carregada de 270 passageiros e cheia de combustível — com segurança. Ao final, todos deixaram o avião andando, sem nenhum arranhão. Os passageiros foram realocados para outros voos, mas alguns ainda aguardam embarque nesta segunda-feira, 30, com destino a Atlanta. O acidente provocou atrasos nos demais voos. Só no início desta tarde de segunda-feira, 30, a operação voltou ao normal.





