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Ator de ‘Clair Obscur’, game do ano, conta como o jogo transformou sua vida

Maxence Cazorla relembra o susto com a popularidade de Esquie, os desafios de se adaptar à captura de performance e seus novos projetos no cinema e nos games

Por Alessandro Giannini Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 Maio 2026, 08h00

O ator, diretor e roteirista francês Maxence Cazorla mal imaginava, no verão de 2023, que um simples link enviado por uma amiga mudaria para sempre o rumo de sua carreira. Em Clair Obscur: Expedition 33 — o RPG que varreu o The Game Awards e conquistou o título de Jogo do Ano —, Cazorla foi responsável apenas pela captura de movimentos de personagens centrais como Gustave, Verso e Renoir (interpretados respectivamente por Charlie Cox, Ben Starr e Andy Serkis. Mas foi emprestando a voz ao excêntrico e adorável Esquie que criou uma conexão especial com os fãs ao redor do mundo. Nesta conversa, realizada durante a feira gamescom latam, em São Paulo, ele abre os bastidores de uma produção que o transformou — pessoal e profissionalmente.

Quando você dublou o Esquie pela primeira vez, imaginava que o personagem faria tanto sucesso? Não, não fazia a menor ideia. Comecei no projeto fazendo a captura de performance para o Gustave, depois o Verso e o Renoir. O Esquie só veio um ano depois — e eu nem deveria interpretá-lo. Quando achei que tínhamos encerrado e já havia voltado à minha rotina, o diretor Guillaume Broche me ligou dizendo que havia um personagem secundário e perguntou se eu toparia. Aceitei e coloquei todo o meu coração nele, porque o vejo como uma criança: alguém muito honesto, que fala tudo o que pensa e sente. Quando o jogo saiu, fiquei maravilhado com a reação dos jogadores ao Esquie — eu achava, sinceramente, que o mascote seria o Monaco. Têm sido surpresas atrás de surpresas.

Você é um gamer na vida pessoal? Sou, sim. Jogo principalmente aventuras solo com narrativa forte, em terceira pessoa. Não me atraio muito pelo multiplayer ou por jogos online, a não ser no modo cooperativo para jogar com meu irmão mais novo — It Takes Two é um bom exemplo. O que me fascina nos games é a imersão: estar naquele universo, ser o Nathan Drake, viver The Last of Us, experienciar uma história em que sou eu quem decide o que vai acontecer.

Sendo um ator com trajetória no cinema e na TV, como foi descobrir o universo dos videogames? Foi o meu primeiro jogo e me senti indo para a Disney. Na França tudo é dublado, então eu não tinha familiaridade com a atuação para videogames — a única referência que eu tinha de captura de movimentos eram os bastidores de Avatar, com o Andy Serkis. Eu estava com dificuldade para me sustentar só como ator e escrevia roteiros paralelamente até que um amigo me enviou um teste de elenco buscando atores que falassem inglês em Paris. Logo percebi que a atuação no mocap é idêntica à do cinema: sem exageros, muito realismo. A grande diferença surgiu ao dublar o Esquie — não decorávamos as falas com antecedência; usávamos um teleprompter e descobríamos o texto enquanto o líamos. É uma habilidade muito específica, e tenho grande admiração pelos dubladores que a dominam.

Você esteve no The Game Awards. Como foi a experiência? Fui, sim. O Charlie Cox foi indicado a melhor performance pela voz do Gustave — e eu, que fiz a captura do personagem junto com ele, não estava entre os indicados. O Charlie não pôde comparecer porque estava filmando Daredevil e enviou uma mensagem à produtora pedindo que eu fosse em seu lugar, cedendo o próprio assento. Ele sempre fez questão de falar publicamente sobre nossa colaboração, e sou muito grato por ele ter me dado a oportunidade de estar lá para celebrar o nosso trabalho juntos.

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Como tem sido a sua vida desde o lançamento do jogo? Uma loucura completa. Eu lutava para conseguir trabalhos e, quando o jogo foi lançado, meu Instagram saltou de 600 para 30 mil seguidores em questão de meses. Fui indicado ao Dice Awards em Las Vegas, conversei com a imprensa internacional, estive no Bafta… Tem sido surreal. Procuro não tomar nada como garantido e manter os pés no chão — e tenho a sorte de contar com amigos e familiares que estão na minha vida há 15 ou 20 anos.

Quais são seus planos para o futuro? Você seguirá nos games ou voltará ao cinema? Pela primeira vez na vida tenho opções — e isso significa tudo para um ator que antes lutava por qualquer papel. Quero muito continuar trabalhando com videogames; há projetos em andamento (a adaptação de Clair Obscure para o cinema) , mas estou sob contratos de confidencialidade e não posso dar detalhes. No cinema, estou escrevendo o roteiro de um longa-metragem francês de ação. Há uns três anos atuei num curta dirigido por um amigo — um filme de fã chamado Logan the Wolf, que imaginava o Wolverine como um viking. O vídeo ultrapassou 7 milhões de visualizações no YouTube e uma produtora nos chamou para criar um filme original, sem ligação com o personagem da Marvel, com aquela mesma pegada. Ele vai dirigir e eu escrevo o roteiro.

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