Carta ao Leitor: A gênese da revolução
Há cinquenta anos, Steve Jobs e Steve Wozniak lançaram o pai dos computadores pessoais. Desde então, VEJA nunca mais os abandonou
As revoluções tecnológicas nem sempre explodem como faísca imediata — é o tempo que as molda, ao enterrar o passado e inventar um futuro. Há exatos cinquenta anos, no primeiro dia de abril de 1976, Steve Jobs e Steve Wozniak lançaram o desajeitado Apple I, o pai dos computadores pessoais. Era o início de uma era, motivo de celebração para a dupla de californianos e os amigos mais próximos, que frequentavam clubes de nerds, mas se diziam hippies, ouvindo Bob Dylan, Beatles e Rolling Stones. Demorou um pouquinho, porém, para que aquela semente fosse interpretada como a gênese do mundo como o conhecemos hoje. A primeira citação do nome de Jobs e Wozniak em VEJA foi estampada na revista apenas em fevereiro de 1982. Assim: “A Apple foi criada em 1976 por dois garotos apaixonados pela eletrônica, Stephen Wozniak e Steve Jobs, que tinham muita coisa em comum. Uma delas: nenhum dos dois concluiu a universidade. Wozniak desenvolveu um projeto de computador enquanto trabalhava na Hewlett-Packard, e Jobs o aperfeiçoou depois, na garagem de sua casa”.
Desde então, a revista nunca mais abandonou a dupla de personagens. Daquele primeiríssimo modelo, passando pelo Macintosh, pelo iPod e pelos iPhones, VEJA seguiu os passos da tecnologia nascente como régua a medir fascinantes mudanças culturais e de comportamento. Em sucessivas reportagens de capa, inclusive a edição especial dedicada a Jobs depois de sua morte, em 2011, nossos jornalistas procuraram sempre equilibrar informações exclusivas com análise rigorosa, sem perder um pouco da ternura, é claro, porque por trás das máquinas há sempre seres humanos, como mostra reportagem do redator-chefe Fábio Altman nesta edição. É postura permanente e cuidadosa, especialmente agora, com os avanços da inteligência artificial, tema inescapável e arrebatador.
Publicado em VEJA de 13 de março de 2026, edição nº 2986





