Uber lança serviço que permite pedir corrida com motorista mulher
Embora não seja inédita, a iniciativa amplia as opções de transporte por aplicativo focadas na segurança feminina
A plataforma de mobilidade Uber anunciou uma novidade que vai ajudar as mulheres que passam por um problema recorrente: sete de cada dez brasileiras já foram vítimas de abuso ou violência no transporte, seja público ou em carro de aplicativo, segundo o Instituto Patrícia Galvão. As passageiras agora poderão pedir um carro pilotado por uma motorista. A ferramenta, chamada Uber Mulher, já começou a ser disponibilizada em 13 capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Brasília, Recife, Manaus, Fortaleza, Belém, João Pessoa, Goiânia, São Luís e Cuiabá. A iniciativa busca ampliar a sensação de segurança e conforto para usuárias mulheres, pessoas não binárias e também para adolescentes, que utilizam o serviço por meio do Uber Teens.
A ferramenta tem três modalidades. A primeira é o Reserve Uber Mulher, que permite agendamento com 30 minutos de antecedência. A segunda, Preferência das Mulheres, prioriza condutoras mulheres nas corridas da categoria UberX — embora o pareamento não seja garantido caso a disponibilidade na região seja limitada. Tem ainda a opção Uber Mulher para corridas imediatas, exibida diretamente na tela inicial do aplicativo. Mas se o tempo de espera for muito longo, o sistema pergunta se a usuária prefere continuar aguardando ou chamar o motorista mais próximo.
Segundo a empresa, a expansão da ferramenta responde a uma demanda recorrente por mais controle sobre quem realiza a viagem. Nos últimos anos, a base de motoristas mulheres cadastradas na plataforma cresceu cerca de 160% no país, embora ainda represente apenas cerca de 8% do total de parceiros ativos.
A ideia de corridas voltadas ao público feminino, no entanto, não é totalmente inédita no mercado. A concorrente 99 já oferece no Brasil o recurso 99Mulher, que permite que motoristas mulheres aceitem apenas chamadas feitas por passageiras. Além disso, existem aplicativos especializados nesse nicho, como o Lady Driver, criado em 2017 com a proposta de conectar exclusivamente motoristas e passageiras mulheres. O serviço surgiu após relatos de assédio em corridas por aplicativo e já registrou milhões de chamadas no país.
Fora do Brasil, iniciativas semelhantes também vêm sendo adotadas por empresas do setor. Nos Estados Unidos, a Lyft implementou um recurso que prioriza o pareamento entre motoristas e passageiras mulheres ou pessoas não binárias, seguindo uma tendência internacional de criar ferramentas voltadas à segurança no transporte por aplicativo.
Com a expansão do Uber Mulher para as principais capitais brasileiras, a empresa tenta responder a uma preocupação crescente com segurança e conforto nas corridas urbanas — um tema que se tornou central na competição entre plataformas de mobilidade nos últimos anos.





