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Trump anuncia acordos comerciais ‘fantásticos’, apesar de deixar China com poucas vitórias

Presidente dos EUA volta para casa após dois dias de cúpula marcada por temas espinhosos e apenas acenos para negócios com Boeing, soja e petróleo

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 Maio 2026, 08h38 | Atualizado em 4 jun 2026, 10h29
Trump anuncia acordos comerciais ‘fantásticos’, apesar de deixar China com poucas vitórias Priorizar nos meus resultados Google

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou a China nesta sexta-feira, 15, sem grandes avanços nas negociações comerciais ou ajuda concreta de Pequim para encerrar a guerra com o Irã, apesar de dois dias dedicados a elogiar seu anfitrião, Xi Jinping. Em suas próprias palavras, porém, teria fechado acordos “fantásticos” de negócios e recebido uma oferta de ajuda para desbloquear o nevrálgico Estreito de Ormuz.

O avião presidencial Air Force One decolou do Aeroporto Internacional de Pequim às 14h40 locais (3h40 de Brasília) com destino a Washington, após uma breve cerimônia de despedida — a cúpula foi repleta de pompa, desde soldados marchando em passo de ganso até visitas a um jardim secreto. Mas, a portas fechadas, o clima foi menos amigável.

O republicano teve dois dias de reuniões com Xi, com o objetivo de alcançar acordos econômicos em setores como agricultura, aviação e inteligência artificial (IA), além de avançar em questões geopolíticas delicadas, como a guerra no Oriente Médio ou Taiwan.

Apesar de um tom mais moderado por parte do líder chinês, Trump afirmou que a visita a Pequim, a primeira de um presidente americano ao país asiático em quase uma década, obteve “resultados muito bons”.

“Fechamos acordos comerciais fantásticos, ótimos para os dois países”, comemorou, enquanto Xi o acompanhava pelos jardins de Zhongnanhai, o complexo central do governo chinês ao lado da Cidade Proibida em Pequim, antes do almoço com bolinhos de lagosta e vieiras Kung Pao. “Resolvemos muitos problemas diferentes que outras pessoas não teriam sido capazes de solucionar”, acrescentou Trump, sem revelar detalhes.

Por sua vez, Xi afirmou que foi uma “visita histórica” e que as partes estabeleceram “uma nova relação bilateral, que é uma relação de estabilidade estratégica construtiva”. Ele prometeu enviar sementes a Trump para o ‘Rose Garden’ da Casa Branca.

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“Ajuda” em Ormuz

Em uma entrevista ao canal americano Fox News após o primeiro dia da visita, Trump disse que Xi aceitou vários pontos da lista de reivindicações dos Estados Unidos.

Sobre a guerra no Irã, o presidente americano afirmou que Xi assegurou que a China não planejava ajudar militarmente Teerã, que mantém o Estreito de Ormuz bloqueado na prática, via crucial por onde passam 20% do petróleo e gás natural consumidos no planeta.

(Xi) disse que não vai entregar equipamento militar, o afirmou com muita firmeza”, declarou Trump. “Ele gostaria de ver o Estreito de Ormuz aberto e disse: ‘Se eu puder ser de qualquer ajuda, de qualquer forma, gostaria de ajudar'”, acrescentou.

Ao ser questionado se os dois presidentes haviam discutido o conflito com o Irã, o Ministério das Relações Exteriores da China publicou um comunicado nesta sexta em que pede “um cessar-fogo abrangente e duradouro” no Oriente Médio.

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“As rotas de navegação devem ser reabertas o mais rápido possível em resposta aos apelos da comunidade internacional”, acrescenta a nota.

Política sobre Taiwan

Os cordiais apertos de mãos e toda a pompa de quinta-feira foram ofuscados por um alerta contundente de Xi sobre um ponto de tensão geopolítica muito mais antigo: Taiwan, uma ilha de regime democrático que Pequim reivindica como parte de seu território.

Pouco depois do início das reuniões, a imprensa estatal chinesa informou que o líder asiático disse a Trump que uma administração equivocada da questão poderia levar os Estados Unidos e a China a um “conflito”.

A entrevista à Fox News não abordou Taiwan e Trump não fez comentários aos jornalistas quando foi questionado sobre o tema na quinta-feira. Já o secretário de Estado, Marco Rubio, declarou à emissora americana NBC que “a política dos Estados Unidos sobre a questão de Taiwan não mudou a partir da reunião”.

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Pequim que levantou a questão, segundo o chefe da diplomacia americana. “Nós sempre deixamos clara nossa posição e passamos para outros temas”, acrescentou ele.

Taipé agradeceu a Washington nesta sexta-feira “por expressar repetidamente seu apoio”.

Boeing, soja e petróleo

Trump não detalhou os acordos comerciais que, segundo ele, foram firmados com a China. Na entrevista à Fox News, no entanto, o ocupante do Salão Oval afirmou que Xi teria concordado com a compra de “200 grandes” aviões da Boeing. As ações da empresa americana de aviação caíram após o anúncio, em um sinal de que o mercado esperava uma aquisição mais robusta.

O presidente disse que Pequim também expressou interesse em adquirir petróleo e soja dos Estados Unidos.

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A China, que é a principal cliente do petróleo iraniano, comprou pequenas quantidades de petróleo dos Estados Unidos antes de Trump impor tarifas elevadas no ano passado. Desde então, o país reduziu drasticamente as compras de soja americana, recorrendo ao Brasil.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse ao canal CNBC que Trump e Xi também discutiram o estabelecimento de “barreiras de segurança” para o uso da inteligência artificial.

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