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A próxima batalha de Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel

Após vitória no Tribunal do Júri, defesa da professora estuda processar prefeitura do Rio por demissão

Por Rayssa Motta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 jun 2026, 15h27 | Atualizado em 9 jun 2026, 18h35
A próxima batalha de Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel Priorize VEJA no Google

Depois de receber perdão judicial no processo sobre a morte do filho, o menino Henry Borel, Monique Medeiros estuda processar a prefeitura do Rio pela demissão do cargo de professora. Os advogados avaliam se vão pedir uma compensação em dinheiro ou a reintegração dela aos quadros municipais.

O prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) informou que a demissão está mantida independente do desfecho do caso na Justiça. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que não vai medir esforços para assegurar que Monique jamais seja readmitida.

“Decisão judicial não se discute, se cumpre. Independentemente disso, quero informar que a decisão da Prefeitura do Rio de manter Monique Medeiros fora de seus quadros ESTÁ INTEGRALMENTE MANTIDA. Enquanto prefeito, pai e cidadão, farei de tudo para assegurar que as salas de aula sejam um ambiente não só de aprendizado, mas de proteção e respeito às nossas crianças. E não medirei esforços para garantir que esta ex-servidora jamais retorne aos quadros da Prefeitura”, escreveu Cavaliere.

Formada em Letras, a professora foi aprovada em concurso público em 2011. Ela deu aulas para turmas de educação infantil na escola Ariena Vianna da Silva, em Senador Camará, onde, sete anos depois, passou a ser diretora. A demissão aconteceu em março deste ano, em um processo administrativo disciplinar, com a justificativa de que Monique não cumpre os requisitos éticos para cuidar de crianças.

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Antes de ser absolvida da acusação de participação na morte do filho, a professora perdeu uma ação judicial movida contra o ex-secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha, por ter sido transferida para um cargo administrativo para ficar longe das salas de aula. A avaliação da defesa é a de que o cenário mudou com a absolvição. A informação sobre a possibilidade de um novo processo foi divulgada por O Globo e confirmada por VEJA. As esferas administrativa e penal são independentes, mas o desfecho favorável no Tribunal do Júri pode ser considerado a favor da professora.

Monique foi denunciada por homicídio doloso por omissão e julgada no Segundo Tribunal do Júri do Rio. Os jurados descartaram que ela tenha contribuído deliberadamente para o assassinato do filho. Com a desclassificação da acusação, a juíza concedeu perdão judicial à professora, instituto previsto no Código Penal para casos em que as consequências do crime atingem o réu de forma tão grave que a punição se torna desnecessária ou desumana.

Na decisão, Elizabeth Machado Louro afirmou que Monique sofreu “misoginia declarada” ao longo do processo e foi alvo de um “massacre” público após a morte do filho. Para a magistrada, a professora recebeu tratamento mais duro por ser mulher.

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Os jurados condenaram Monique apenas por omissão em relação a um episódio anterior de tortura contra Henry, no dia 12 de fevereiro de 2021, quando a babá encaminhou a ela um vídeo de Henry mancando depois de passar um tempo sozinho com Jairo. A pena por omissão sobre a tortura foi de um anos e quatro meses. Como ela passou quase cinco anos presa preventivamente, não há mais tempo de cadeia a cumprir. A professora foi solta após a decisão. O Ministério Público do Rio vai recorrer.

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