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Jairinho diz que dava ‘bandas’ em Henry como brincadeira: ‘Não foi escondido’

Ex-vereador presta depoimento nesta terça-feira, 2, no Tribunal do Júri; ele responde pelo homicídio do enteado

Por Rayssa Motta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 jun 2026, 18h45 | Atualizado em 2 jun 2026, 21h41
Jairinho diz que dava ‘bandas’ em Henry como brincadeira: ‘Não foi escondido’ Priorize VEJA no Google

O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, voltou a negar nesta terça-feira, 2, ter agredido o enteado, o menino Henry Borel, de 4 anos, que morreu em março de 2021. Jairinho responde por homicídio duplamente qualificado. “Eu não tenho nada a ver com isso. Eu não fiz isso com o Henry. A Monique sabe. O pai dele sabe”, declarou.

O ex-parlamentar admitiu que dava “bandas” na criança, mas segundo ele era uma forma de brincadeira. “Brincar de dar banda no Henry eu já brinquei sim. Dar banda é segurar a criança pelo braço, passar a perna por baixo e colocar sentada no chão. Todos viram eu brincando com o Henry dessa maneira. Não foi escondido”, afirmou.

As declarações foram feitas durante o depoimento prestado por ele no Tribunal do Júri. O ex-vereador não quis responder às perguntas da juíza Elizabeth Machado Louro, que conduz o processo, e nem aos questionamentos do Ministério Público. Apenas os próprios advogados puderam fazer indagações. O depoimento está em curso.

Jairinho procurou destacar atributos considerados positivos para tentar sensibilizar os jurados. Ele se apresentou como uma pessoa calma e um bom aluno. Também detalhou a relação com a família, especialmente os filhos, a mãe, a irmã e o sobrinho. O ex-vereador chorou durante a exibição de fotos de familiares e de um vídeo de Henry. “A coisa que eu mais queria no mundo era que o Henry estivesse aqui com a gente”, disse.

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O histórico violento e de infidelidades de Jairinho, denunciado por ex-companheiras, é um dos pontos mais sensíveis para a defesa do ex-vereador. Duas ex-namoradas de Jairinho, Débora Mello Saraiva e Natasha Oliveira, foram ouvidas como testemunhas e relataram ter sofrido agressões. A professora Monique Medeiros, mãe de Henry, também declarou que viveu um relacionamento abusivo. Além disso, consta no processo um boletim de ocorrência registrado – e depois retificado – pela ex-mulher, Ana Carolina Ferreira Netto, por violência doméstica.

Jairinho admitiu as traições, mas negou qualquer agressão ou perseguição. “A gente faz algumas escolhas insensatas. Uma delas foram as traições que eu fiz. Não é um caminho legal para se tomar. Não tem justificativa”, lamentou.

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A estratégia da defesa foi tentar descredibilizar o relato das mulheres por terem se relacionado com o ex-vereador quando ele era casado. Jairinho também sugeriu que os depoimentos de Natasha e Débora foram induzidos pelo vereador Leniel Borel, pai de Henry, por meio de um advogado. Em relação ao boletim de ocorrência da ex-mulher, argumentou que a própria Ana Carolina retirou as acusações e que depois eles passaram mais seis anos juntos. Jairinho afirmou que uma discussão motivou a denúncia. “Teve uma briga. Ela me bateu, eu puxei ela. Puxei pelo braço mais forte. Uma gritaria danada”, contou. “Nunca imaginei que precisaria contar tantos detalhes da minha vida para contextualizar a verdade”, acrescentou.

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Outra testemunha que complica a situação do ex-vereador é Kaylane Pereira, uma ex-enteada, que afirma ter sido torturada por Jairinho na infância. O ex-vereador argumentou que uma criança tão pequena não teria a cognição para memorizar as frases que agora – anos depois – são atribuídas a ele.

Os advogados de Jairinho pediram que ele se manifestasse sobre o depoimento da babá, Thayná de Oliveira Ferreira, que expôs a Monique, em mensagens no WhatsApp, que suspeitava do comportamento de Jairinho. A babá chegou a enviar um vídeo do menino mancando após ficar sozinho com o padrastro. O ex-vereador alegou, naquele dia, o encontro a sós com Henry durou apenas alguns minutos e que chegou a telefonar para Monique naquele momento. Jairinho afirma que deixou o apartamento logo em seguida para buscar um documento que havia esquecido em um restaurante. “A régua para medir o sofrimento do Henry é a Thayná? Não é a psicóloga, os familiares que conviveram com ele? Isso é percepção dela, do que ela acreditou que estava acontecendo sem ter visto nada”, rebateu.

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O ex-vereador chegou a se dirigir diretamente aos jurados para pedir que fizessem justiça pelo Henry. “Tenho certeza que vocês estão se surpreendendo, tendo acesso a coisas novas. O caminho certo é o caminho da verdade”, declarou. “O processo é complexo, é grande, mas na parte lógica tem muita incoerência”, completou.

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