‘Fui abusado pelo padre Ademar’: o relato de nova denúncia de fiel
Exclusivo: Andreu Silva fala de relação com pároco, afastado por ‘questões de saúde’, após virem à tona depoimentos trazidos pela coluna GENTE
Conforme a coluna GENTE noticiou, o padre Ademar Pimenta vem sendo acusado por fiéis de abusos contra crianças e jovens. No domingo, 7, após forte engajamento do relato nas redes sociais, o padre Hugo dos Santos Nascimento, coordenador do setor de comunicação da Arquidiocese de Niterói, se manifestou, em nota, dizendo que Ademar passa a ser “suspenso de ordem, a fim de continuar o tratamento de sua saúde”. A seguir, a coluna traz o depoimento de Andrew Silva, 28 anos, técnico em prótese odontológica, que relata os abusos sofridos há uma década, quando frequentava a igreja Nossa Senhora do Amparo, em Maricá, no norte-fluminense, liderada até então por Ademar.
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CARÍCIAS E BEIJOS “Eu tinha acabado de completar 18 anos, participava do movimento EAC (Encontro de Adolescentes com Cristo). Quando ele (padre Ademar) veio para Maricá, o pessoal tinha receio de confessar com ele, era bem bronco, tinha uma postura rígida. Fui na direção oposta, queria me confessar com ele por conta disso. E aí ele foi ganhando minha confiança, tive ele como um pai. Num dia normal, numa confissão, ele simplesmente veio me abraçando, veio querendo dar beijo na bochecha e fui deixando. Dava beijo na bochecha dele também. Sabe quando a pessoa estica a bochecha e você dá um beijo de volta? Até que senti que ele queria virar para dar beijo no canto da boca. Quando percebi, ele veio me abraçar e ficou querendo se esfregar em mim. Dei um empurrão, eu estava num estado vulnerável, chorando e fui embora. Só que fiquei com aquilo martelando na cabeça. Na posição que ele ocupava para mim, era muito complicada de entender se era aquilo mesmo que estava acontecendo. Depois de um tempo, refleti: ‘aconteceu alguma coisa sim, ele estava se aproveitando da situação’.
EXCITADO. “Na confusão também reparei que ele ficava passando a mão na minha perna, só que eu não via com maldade no início, só depois. A gente tinha amizade. Ali foi minha decepção com ele, que estava gostando da situação. Ele ficou excitado, de pa* duro, comecei a reparar depois que tinha acontecido alguma coisa ali. Ele estava se aproveitando. Depois acabou que fizeram uma carta, em anônimo no WhatsApp, e começou a correr na cidade toda delatando alguns casos dele com coroinhas e tudo mais… Foi quando afastaram ele daqui de Maricá. É uma desculpa, com certeza. Alguém está acobertando ele, porque infelizmente na Igreja Católica a gente vai descobrindo que tem pessoas de grandes cargos que fazem até pior.”.
ROMPIMENTO. “No dia seguinte (ao ocorrido), liguei para ele, marquei que queria confessar. Ele queria em casa paroquial, mas falei que devia ser na igreja. Chegando lá, falei: ‘olha, se o senhor for viad*, se ser *, o senhor vai ser na put* que te pariu. Não cabe a você invadir o espaço de outra pessoa. E você tentou ontem me beijar, ficou se esfregando em mim’. Ele ficou me ouvindo, mas mantendo a postura muito serena. Ele falou: ‘admiro sua coragem, mas não foi bem assim. Você estava num momento delicado, pode ter entendido de forma diferente’. Respondi dizendo para ele não me procurar, nem olhar na minha cara a partir daquele momento.
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LIÇÃO QUE FICA. “Quando falo que fui abusado pelo padre Ademar, a dor que trago é uma dor de decepção, de nojo, não sei explicar, é uma sensação ruim. Repulsa da pessoa… Não tem necessidade de fazer um negócio desse. Demorei a entender isso, mas nem todo mundo é assim, nem todo padre vai ser assim. A lição que tiro é que ele vai se acertar com Deus. O meu posicionamento hoje é que ele pague aquilo que deve”.
REENCONTRO. “Continuo com a minha oração com Deus. Depois até voltei a me confessar, mas foi um custo muito grande. Aquela foi a última vez que falei com ele. Cheguei a ver ele depois de alguns anos, numa reunião de uma conhecida minha da igreja, mas também não falei com ele. Mas certeza que ele também me viu ali. Me ignorou”.
Procurada, a Arquidiocese de Niterói ainda não se manifestou sobre as denúncias.
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