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Comprometimento da renda com dívidas bate recorde e chega a 29,7% em fevereiro, segundo BC

Famílias despendem mais de 10% da renda apenas para pagar juros

Por Felipe Erlich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 abr 2026, 09h59

O comprometimento da renda das famílias brasileiras com dívidas chegou a um novo recorde em fevereiro, segundo dados do Banco Central, atingindo 29,7% — alta mensal de 0,2 ponto percentual. É o maior nível para a série histórica iniciada em 2005, há 21 anos. O regulador considera o saldo total de dívidas das famílias em relação à sua renda mensal atual. Colocando financiamentos imobiliários de lado, o percentual cai para 27,4% — também alta de 0,2 p.p..

“(O comprometimento da renda com dívidas) manteve trajetória de crescimento, em 12 meses cresceu 1,9 ponto percentual (nesse período), e também é o maior percentual da série histórica do Banco Central”, disse Fernando Rocha, chefe do departamento de estatísticas do BC, durante a apresentação do último Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito, na segunda-feira, 27.

O Banco Central também calcula o nível de endividamento das famílias em relação à renda disponível nos 12 meses anteriores ao período de referência. Nesse caso, o endividamento chegou a 49,9%, igualando o recorde observado em julho de 2022, há quase quatro anos. A alta mensal para este indicador foi de 0,1 p.p. Se excluídos os financiamentos imobiliários, o endividamento das famílias ficou em 31,4% em fevereiro — alta de 0,1 p.p..

“Tem uma tendência de crescimento que culmina em julho de 2022, com 49,9%. (A curva) começa a se reduzir e volta a crescer nos últimos meses e repete, em fevereiro de 2026, esse percentual”, disse Rocha.

O juro médio cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito caiu de 435,9% em fevereiro para 428,3% em março, também segundo o relatório do BC. A concessão de crédito nessa modalidade somou 109,7 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2026, representando uma alta de 9,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

Cerca de 10,6% da renda das famílias é utilizada para pagar apenas os juros das dívidas, enquanto 19% vai para pagar o valor principal. O governo federal acendeu um alerta vermelho para a situação e prepara um pacote de alívio às famílias endividadas. O presidente Lula espera, assim, recuperar parte da sua popularidade em ano eleitoral.

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