Dia da Cerveja: conheça os tipos mais vendidos no mundo e o lúpulo high-tech
Bebidas premium, sem álcool ou feitas com lúpulo produzido em laboratório ganham espaço na indústria bilionária das cervejas
Sextou – e não se trata de uma sexta-feira qualquer. Desde 2007, por iniciativa de um grupo de apreciadores da bebida da Califórnia, comemora-se o Dia Internacional da Cerveja na primeira sexta-feira de agosto. É uma data para que os cervejeiros presenteiem amigos com rótulos especiais ou simplesmente encontrem mais uma desculpa para se reunir com os amigos na companhia de uma gelada.
Segundo relatório da consultoria indiana Mordor Intelligence, divulgado no mês passado, o mercado global de cerveja está avaliado em 0,85 trilhão de dólares em 2026 e deve chegar a 1,09 trilhão de dólares até 2031, crescendo a um ritmo de 5,16% ao ano. O levantamento mapeia os tipos de cerveja mais consumidos no planeta e mostra como a indústria cervejeira está apostando em tecnologia — da fermentação de precisão a sensores em barris — para driblar custos, atender consumidores mais conscientes e sustentar a expansão do setor.
Lager soberana
Nada supera a cerveja lager, que respondeu por 87,09% de toda a receita mundial do setor em 2025, impulsionada pela força de marcas globais e redes de distribuição extensas. É esse estilo leve e de fermentação baixa — presente em rótulos populares em quase todos os países — que sustenta o volume de vendas em massa, especialmente em mercados de grande população e sensibilidade a preço, como Ásia, África e América Latina.
Enquanto isso, dois movimentos vêm ganhando força dentro dessa categoria dominante: os rótulos premium de grandes cervejarias e proliferação das artesanais. Cervejas premium devem crescer 5,45% ao ano até 2031, superando a expansão das cervejas padrão, à medida que consumidores buscam mais qualidade, rótulos autorais e experiências gastronômicas diferenciadas. Somente nos Estados Unidos, mais de 9.922 cervejarias artesanais estavam em operação em 2025, de acordo com dados da Brewers Association citados no relatório.
O segmento que mais cresce, no entanto, não é o tradicional: as cervejas sem álcool e de baixo teor alcoólico devem se expandir a uma taxa de 5,3% ao ano até 2031, impulsionadas por consumidores mais jovens que equilibram vida social e bem-estar. Esse fenômeno é particularmente forte na Europa Ocidental, onde campanhas de saúde pública e iniciativas institucionais têm incentivado o consumo moderado.
A tecnologia aplicada ao lúpulo
A grande novidade tecnológica do setor está na forma como o lúpulo e outros ingredientes são produzidos. Em 2024, a cervejaria dinamarquesa Carlsberg testou em escala piloto técnicas de fermentação de precisão que reduziram em cerca de 30% o uso de água e em 50% a necessidade de terra cultivável, quando comparadas ao cultivo convencional de lúpulo. Trata-se de um método que usa micro-organismos geneticamente ajustados para “imitar” em laboratório os compostos aromáticos do lúpulo, sem depender das lavouras tradicionais.
Também na frente da inovação genética, um estudo publicado em 2025 na revista científica Nature Communications identificou novas linhagens de levedura capazes de produzir cervejas com apenas 2% a 3% de teor alcoólico, mas preservando o “corpo” e a textura de uma cerveja tradicional — um avanço que ajuda a explicar o crescimento acelerado das cervejas de baixo teor. Já a Heineken confirmou, em fevereiro de 2026, a adoção de “gêmeos digitais” (digital twins) com inteligência artificial para otimizar operações de suas cervejarias e a logística de distribuição, além de já usar barris inteligentes equipados com sensores de frescor em pubs europeus.
Quem domina o mercado
A produção global é altamente concentrada em poucos grupos multinacionais: Heineken, AB InBev, Carlsberg, Molson Coors e Asahi lideram o ranking de maiores players do setor, segundo a Mordor Intelligence. A AB InBev registrou receita de US$ 59,8 bilhões em 2024, mesmo com queda de 1,4% no volume vendido, pressionada pela concorrência de cervejarias artesanais na América do Norte e por marcas próprias de redes de varejo na Europa. No Brasil, a Ambev, empresa do grupo, lidera com folga o mercado.
A região Ásia-Pacífico é hoje o maior mercado cervejeiro do mundo, respondendo por 30,12% da receita global em 2025, e também a que mais cresce, com expansão prevista de 5,40% ao ano até 2031 — puxada pela urbanização acelerada e o aumento da renda disponível em países como Índia, Vietnã e Indonésia. Já em mercados maduros como a Alemanha, o consumo per capita de cerveja caiu para 84,3 litros em 2023, reforçando a tendência de queda de volume compensada por produtos premium e sem álcool.







