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Estrangeiros retiram R$ 24,2 bi da Bolsa em 2024, primeiro saldo negativo desde 2019

Capital internacional que saiu da B3 ajudou a catapultar o dólar e a implodir o Ibovespa no ano passado

Por Márcio Juliboni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 3 jan 2025, 16h18 - Publicado em 3 jan 2025, 13h34

Os investidores estrangeiros registraram uma saída líquida (compras menos vendas) de 24,2 bilhões de reais da bolsa brasileira em 2024. Segundo a consultoria Elos Ayta, trata-se do primeiro saldo negativo desde 2019, quando os estrangeiros retiraram 6,5 bilhões de reais da B3. A forte fuga do capital internacional foi o principal fator para o tombo de 10% do Ibovespa no ano recém-encerrado. Também serviu de combustível para a disparada de 27% do dólar.

A Elos Ayta lembra que, em 2024, apenas quatro meses registraram entrada líquida de recursos estrangeiros na B3: julho, agosto, outubro e dezembro. Agosto apresentou o melhor resultado, com saldo positivo de 10 bilhões de reais. Em contraste, abril foi o pior mês da bolsa, quando os investidores gringos retiraram 11 bilhões de reais.

O movimento mostra uma aversão crescente do capital internacional em relação à bolsa. Em 2022, dez meses apresentaram saldo positivo dos investimentos estrangeiros. Em 2023, o resultado foi obtido em apenas seis meses. Já em 2024, somente quatro meses ficaram no azul. “A redução progressiva no número de meses positivos ao longo dos últimos anos reflete uma maior cautela dos investidores estrangeiros em relação ao mercado brasileiro”, afirma a consultoria.

As causas do mau humor são bastante conhecidas. No cenário externo, o recrudescimento das tensões geopolíticas leva o capital internacional a se resguardar em ativos de menor risco. Os preferidos são os títulos do Tesouro americano. Mesmo com o início do ciclo de corte de juros pelo Federal Reserve em setembro, os juros americanos seguem em patamares historicamente altos – atualmente, encontram-se na faixa de 4,25% a 4,5% ao ano.

A expectativa de que o Fed interrompa os cortes – ou, no limite, inverta a direção –, diante da disposição do presidente eleito, Donald Trump, de adotar políticas com potencial inflacionário, reforça ainda mais a predileção do mercado pelos títulos da dívida americana.

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Com isso, os grandes investidores estão reduzindo sua exposição em diversos mercados para alocar recursos nos Estados Unidos, o que pressiona as moedas nacionais em várias partes do mundo. O Índice DXY, por exemplo, que compara o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas, encerrou 2024 com alta de mais de 6%.

Mas os problemas brasileiros potencializam a fuga de capital. A maior preocupação é com a deterioração das contas públicas e a aparente má vontade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de promover um ajuste fiscal convincente.

Basta lembrar que o grande salto do câmbio ocorreu a partir de outubro, quando o mercado começou a se preocupar cada vez mais com o crescimento da dívida bruta do governo, que encerrou o ano equivalente a 77% do produto interno bruto (PIB).

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A pressão dos agentes financeiros levou a equipe econômica a se debruçar sobre uma série de medidas para reverter o rombo fiscal e estabilizar a trajetória da dívida. Após quatro meses de expectativas, contudo, o pacote fiscal anunciado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no fim de novembro, frustrou as expectativas e acentuou a fuga de capital estrangeiro. O resultado foi mais pressão sobre o câmbio e o Ibovespa.

“Os números de 2024 reforçam a necessidade de políticas públicas e privadas que tornem o mercado financeiro brasileiro mais resiliente e atrativo para o capital estrangeiro”, afirma a Elos Ayta.

“A B3, como principal bolsa de valores do país, é um termômetro da saúde econômica e política do Brasil. Atrair e reter investidores estrangeiros exige um compromisso contínuo com a previsibilidade, a transparência e a competitividade”, acrescenta a consultoria. A julgar pela continuidade da alta do dólar e da queda do Ibovespa nos primeiros dias de 2025, o mercado segue descrente de que algo mudará no curto prazo.

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